O que dizer para fazer amigos

A vida ao longo de 2020

2020.12.02 04:32 Pessoaziinha A vida ao longo de 2020

Sei que o mundo inteiro se queixa deste ano: o quanto o número de casos tem vindo a aumentar; quantos mortos já houve; qual a taxa de recuperados; como está a evolução da vacina; quando é que a pandemia termina. A verdade é, não estamos nem próximos do final de toda esta situação que açulou o mundo inteiro desaparecer.
Não há um único dia, desde fevereiro, em que não me recorde de ouvir a palavra covid, e não há sem dúvida um dia desde março em que me sinta num completo à vontade sempre que dou a minha aparição numa via pública. Até aqui são somente inumerados factos e aquilo que de uma forma ou de outra toda a gente por Portugal e, de certo pelo mundo, tem vindo a sentir.
A verdade é que, por mais reformas que tente fazer à minha vida, sinto-me a cada dia mais fraca e sem capacidade de reação. As atitudes das pessoas, perante tudo o que tem sido vivido, são, para dizer o mínimo, divergentes. Surgem os negacionistas, que segundo a visão deles, tudo isto não passa de uma conspiração do governo para nos controlar e que o vírus nem sequer existe. Acoplados a esta magnífica fação, temos todos os conspiracionistas, em que ou o vírus foi criado em laboratório, ou que a culpa é do 5g, e sei lá eu o que mais sai daquelas magníficas cabeças. E do extremo oposto temos os fanáticos, hipocondríacos ou como quiserem chamar, pessoas estas que, quando saio de casa para me abastecer para a semana começam-me a chamar irresponsável, porque poderia escolher melhores dias, ou melhores horas para ir ao supermercado, visto se encontrarem sempre cheios quando a estes me dirijo. Pessoas estas que me chamam radical por afirmar que necessito, nada mais, nada menos, do que contactar com pessoas para conseguir me alimentar. É suposto deixar de trabalhar, de ir a supermercados, fármacias, ou quaisquer outros estabelecimentos e isolar-me em casa até ao meu falecimento por falta de alimento? Desculpem o meu longo desabafo sobre este último grupo mas, infelizmente sou original de uma pequena aldeia, em que todos os amigos que deixei por lá, pararam no tempo, e estagnaram por casa dos pais, onde sem muito para fazer, me decidem azucrinar a cabeça com este género de comentários.
Com todas estas opiniões diversas e todos os stresses conjuntos deste ano, sinto que acima de tudo estou também eu a enlouquecer, e sobrecarregada com tudo, com mais trabalho do que nunca, não tenho um único escape ou uma única pessoa que veja de uma forma 100% objetiva toda a situação que vivemos (dito de passagem já nem eu consigo ver objetivamente).
O mundo está em pânico e o apontar do dedo para culpar alguém por toda esta situação, tornou-se algo tão banal, que o ser humano está mais tóxico do que nunca!
Falo por mim como falo por todos, mas a minha capacidade social, e a minha benevolência pelo próximo acho que está mais perdida do que alguma vez esteve. E para em sentir ainda mais frustrada, olho à volta e toda a gente espera 2021, como se fosse o ano salvação e que, de 31 de dezembro para 1 de janeiro, tudo vai mudar e voltar a ser como era antes! Sim porque a diferença de um número vai realmente mudar tudo! Estou farta deste mundo e, farta principalmente de pessoas!!!
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2020.12.01 23:34 ahdesistocara Lista de CopyPastas do r/futebol

Usem com moderação. Aberto a sugestões.

Originais do futebol

Aqui é futebol brasileiro, abraço
aqui é futebol brasileiro, abraço 
Obs: Seguindo a tradição do sub, essa pasta deve ser sempre downvotada.

E o cruzeiro, hein?
E o cruzeiro, hein? 

Sobre o excesso de posts sobre o Flamengo no sub
Sobre o excesso de posts sobre o Flamengo no sub Galera, pelo amor de Deus, vamos ter consciência do que vocês fazem ai, Flamengo foi campeão de duas competições seguidas? Beleza, tranquilo, merece discussão mesmo, mas tem muito conteúdo aqui que pode muito bem ir pro /Flamengo e ninguém aqui sentiria falta. Então, a partir de hoje, vou ter que começar a deletar alguns posts que teriam lugar melhor no próprio sub do clube, me desculpem. 

Outros

Fala, Zezé. Bom dia, cara.
Fala Zezé, bom dia, cara. Deixa eu te falar uma coisa. Eu estou pensando aqui, sei que está difícil para vocês aí arrumarem recursos, sei que está correndo atrás, mas estou falando por mim, não falei com ninguém tá, do time. Vê se você não consegue pelo menos pagar esses outros 60% antes do jogo de quinta-feira, que aí não precisa nem ter bicho, entendeu, para ganhar jogo. É uma motivação a mais para a gente cara, acertar o salário aí. Aí você não precisa arrumar uma premiação pra ganhar o jogo, porque a obrigação nossa é ganhar esse jogo. Tá louco! Se a gente não ganhar do CSA, pelo amor de Deus. Pô, faz esse esforço para a gente aí, até quinta-feira, tentar acertar esses 60% que estão atrasados do salário. 

Infelizmente acabou a competitividade
Infelizmente acabou a competitividade, não existe mais nenhum adversário a altura do Flamengo no Brasil e na América do Sul. Talvez, a exemplo da Austrália, que se mudou da Oceania para o futebol asiático em busca de maiores desafios, talvez esteja na hora do Flamengo ir para Europa e jogar o campeonato inglês ou se filiar a FIFA como uma seleção para disputar a copa do QATAR em 2022 

O Flamengo é isso aí mesmo
Eu sei que grande parte da torcida do Flamengo começou a torcer em 2019, então vou explicar pra vocês, o Flamengo é isso aí mesmo, sempre foi uma piada em todas as competições, já foi eliminado de forma vexatória várias vezes e perdeu final pro Santo André. Esse time é uma piada. 

Ficou acordado até tarde secando o mengão?
Ficou acordado até tarde secando o Mengão? Fiquei piranha, o Flamengo tomou no cu, se fodeu tomar no cu (vai tomar no cu) 🎵Tomar no cuuuu🎵 

Real Madrid das Américas/Acabou a brincadeira
Acabou a brincadeira na minha opinião, hein. Palmeiras não quer brincar mais com ninguém, acabou a brincadeira. Ganha tudo de novo. Vai ganhar tudo que disputar, vai ser campeão brasileiro outra vez. Trazendo o Borja, vai ter o melhor elenco do futebol brasileiro e pra mim, o melhor time do futebol brasileiro. Minha opinião. 

Apaga agora pelo amor de deus
apaga agora pelo amor de deus tá todo mundo pedindo pra apagar tem criança chorando aqui já tá todo mundo engatilhado por favor essa informação eh muito pesada traz traumas horríveis pra muita gente que fica com gatilho que passa mal desmaia apaga isso pelo amor de deus apaga isso por favor tem gente que realmente passa mal vendo isso apaga ta todo mundo pedindo pra apagar isso eh gatilha pra muita gente por favor apaga eh serio meu deus apaga isso as pessoas vão morrer tem gente sendo internada ja apaga pelo amor de deus to te pedindo apaga 

Tem noite que é dia
Tem noite que é dia 

Continuo sendo o culpado?
Continuo sendo o culpado??? 🤔 

Eu confio no meu grupo
Eu confio no meu grupo 

E O CARA JANTANDO
 PUTA QUE PARIU, O TIME NESSA SITUAÇÃO E O CARA JANTANDO 

O novo treinador do Flamengo é o Sr. Waldemar
O novo treinador do Flamengo é o Sr. Waldemar 

Lá vem o Abelão
HAHAHAHA 🤣😂😂🤣😂🤣 LÁ VEM O ABELÃO 🇦🇹🍷🇦🇹🍷🇦🇹🍷🇦🇹🍷🇦🇹 CHEIO DE PAIXÃO 😘🥰😍😘🥰😍😘🥰😍 TICATA TICATA TICATA 🎵🎶🎵🎶 EU QUERO QUE O ABEL 🍷🍷🍷🍷 ME AQUEÇA NESSE INVERNO ❄️❄️❄️❄️❄️❄️❄️ E QUE O COUDET VÁ PRO INFERNO 👺👿👺🔥🔥 

Acabou. Essa foi a gota d'água.
Acabou. Essa foi a gota d'água. Eu não sou mais torcedor do Flamengo. Eu tenho torcido desde 2019 e vou a todos os jogos desde 2019. Eu não vou mais acompanhar esse time e não vou renovar meu sócio torcedor. Vou começar a torcer pro São Paulo , aonde eles sabem jogar futebol. 

BOM DIA O CARALHO, HOJE É DIA DE GUERRA
ACORDEI NÉ E TALS, AÍ FUI NA COZINHA TOMAR UM CAFÉ E MINHA SOBRINHA VEIO CORRENDO ME ABRAÇAR PRA ME DAR BOM DIA, DEI LOGO UM CHUTÃO, JOGUEI NA PORTA, BOM DIA O CARALHO, HOJE É DIA DE GUERRA PORRA, DIA DE LIBERTADORES, MANÉ BOM DIA, PILHADÃO E A CRIANÇA VEM ME DA BOM DIA PIOR QUE TA TODO MUNDO ME OLHANDO DE CARA FEIA, FALANDO QUE SOU MALUCO KKKKKKKKKKKKK MALUCO ELES VÃO VER QUANDO O (JOGADOR 1) DER AQUELE LANÇAMENTO MAGESTRAL E O (JOGADOR 2) COMPLETAR PRO GOL, MANÉ BOM DIA 

BOM DIA O CARALHO, AQUI É A TORCIDA JOVEM DO FLAMENGO
Meu irmão, bom dia o caralho parceiro!! Isso aqui é o grupo da torcida jovem do Flamengo, entendeu?? Tu quer dar bom dia, tu cria um grupo de merda e fica dando bom dia, boa tarde, boa noite. Ou então tu cria um grupo pra tua família, aí tu fica dando bom dia. Aqui é psicopata, ladrão, bandido, cheirador, vendedor de droga, assaltante… aqui tem a porra toda meu irmão. Isso aqui é a torcida jovem do Flamengo. Bom dia é o caralho rapá!!! 

O Vasco é o novo pior time do mundo
O Vasco é o novo pior time do mundo, o árbitro apita o começo da partida e 1 segundo depois a gente leva gol. Os treinos devem ser piores que os treinos do Corinthians quando o Coelho comandou o time, não é possível que o Vasco fica de quatro pro Ceará PRO CEARÁ O CEARÁ É O REAL MADRID NOS OLHOS DO VASCO!!! Eu sei que era pra ter percebido isso há muuuuuuito tempo, mas é o fim do futebol carioca. Daqui à 5 anos, só vai restar o Flamengo. O Botafogo não existe mais, só é questão de tempo pro Fluminense sair do G6, eu nem preciso falar do Vasco, né? Desisto, o tetra rebaixamento vem aí. Esquece o jogo de quinta que nós vamos levar pirocada do Defesa e Justiça. Vou começar a torcer pro América Mineiro que é BEM melhor que torcer pro Vasco. O Ribamar fez gol enquanto eu estava digitando. Era melhor não ter perdido o pênalti, ou eu iria criar um livro inteiro falando mal deste time que acha que Série A é pelada de rua. Esquece, o Ceará fez outro gol. VAMOS, COELHÃO!!! 

IMPRESSIONANTE A CAPACIDADE QUE ESSE TIME TEM PRA SER HUMILHADO
IMPRESSIONANTE A CAPACIDADE QUE ESSE TIME TEM PARA SER HUMILHADO, E DESSA VEZ EU FALO SEGURAMENTE. DEIXEI ISSO NO COMENTÁRIO NA RÁDIO BANDEIRANTES, ISSO ESTÁ REGISTRADO NACIONALMENTE NA HISTÓRIA DO RÁDIO, O PALMEIRAS DEU O MAIOR VEXAME DE SUA HISTÓRIA, E NÃO VAI TER UM VEXAME PIOR DO QUE ESSE. SER REBAIXADO PRA SEGUNDA DIVISÃO DO PAULISTA NÃO VAI SER PIOR DO QUE SER HUMILHADO, EXECRADO, SER PISOTEADO, TER A HISTÓRIA CUSPIDA E ESCARRADA POR UM TIME DE VÁRZEA, O TAL DO ÁGUA SANTA É UM TIME DE V-Á-R-Z-E-A, LITERALMENTE DE V-A-R-Z-E-A, O ÁGUA SANTA NÃO EXISTIA NO CENÁRIO DO MUNDO ATÉ 2002, ERA UM TIME V-Á-R-Z-E-A-N-O, UM TIME QUE DISPUTADA DESAFIO AO GALO, COPA CYNAR, COPA KAISER, TROFÉU DO BAIRRO DO PCC, O PALMEIRAS PERDEU PRA UM TIME DE V-Á-R-Z-E-A, PERDEU NÃO, PERDER É DE 1X0, O PALMEIRAS FOI HUMILHADO, O PALMEIRAS TEVE A INSTITUIÇÃO SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS DENEGRIDA, O ESTATUTO DO PALMEIRAS, SEI LÁ, QUALQUER COISA QUE QUE A GENTE POSSA DIZER ASSIM, AQUELAS LEIS INTERNAS LÁ, TO TÃO PUTO QUE ATÉ ESQUECI O NOME, A CONSTITUIÇÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO DO PALMEIRAS FOI RASGADA, O PALMEIRAS TEM QUE NASCER DE NOVO COM OUTRO NOME, ACABOU, ACABOU, AI VEM O CUCA COM ESSA HISTÓRIA DELE, ESSE IDIOTA, ESSE FILHA DA PUTA DESSE BRUXO COM ESSA HISTÓRIA DE AINN SANTO, PORQUE JESUS, JESUS NÃO AJUDA SE VOCÊ NÃO TREINA, SE SEU TIME É UMA MERDA NEM JESUS DÁ JEITO, JESUS TEM QUE SE PREOCUPAR COM OS PROBLEMAS DO MUNDO, JESUS TEM QUE SE PREOCUPAR COM A PAZ MUNDIAL, NÃO SE PREOCUPAR COM ESSA MERDA CHAMADA PALMEIRAS, ISSO NÃO TEM QUE SER PREOCUPAÇÃO DE NOSSA SENHORA DO BRASIL, DA QUAL O CUCA TAVA NO PEITO, ELE ACHA QUE A NOSSA SENHORA DA JEITO NO PALMEIRAS, ESSE CARA TA DE BRINCADEIRA, AI ELE FEZ O TIME ENTRAR ABRAÇADO “NÃO, SE VOCÊS ENTRAREM ABRAÇADOS HOJE A GENTE VAI MOSTRAR QUE TEM UNIÃO QUE O TIME JOGA BOLA” AAAHHHH VAI PRA PUTA QUE PARIU CUCA, VAI TE CATAR VOCÊ E ESSE TIME HORROROSO, VAI TE CATAR VOCÊ E O ROBINHO, O AROUCA, ESSE FILHA DA PUTA DESSE THIAGO SANTOS, ESSE ROGER CARVALHO ESSA VERGONHA, O CARA TAVA NA SEGUNDA DIVISÃO DA SÉRIE B, O TIME É O A PIOR DEFESA DO ANO EM 2015 E CONTRATA UM ZAGUEIRO DA SÉRIE B, VAI TOMAR NO CU, O EDU DRACENA, AHH O EDU DRACENA É O MENOS CULPADO, É UM COITADO, ELE É GENTE BOA E TÁ VELHO, NÃO PODE PEGAR UM TIME QUE NÃO TEM VOLANTE, O RESTO TEM QUE FUDER, ESSE ERIK, 13 MILHÕES NUM FILHA DA PUTA, NUM IDIOTA, ESSE MAGRELO BURRO, ESSE JOGADOR FOMINHA É UM IDIOTA, O CARA NÃO SABE QUE TEM OUTRO JOGADOR DO LADO DELE E NÃO TOCA A BOLA PRA NINGUÉM, 13 MILHÕES EM UM JOGADOR DO GOIAS! 13 MILHÕES NUM JOGADOR DO GOIAS! NEM O REAL MADRID PAGARIA 13 MILHÕES NO CRISTIANO RONALDO SE ELE ESTIVESSE NO GOIÁS. O QUE QUE É ISSO? ESSE ALEXANDRE MATTOS, ESSE FILHO DA PUTA DESSE ENGOMADO, COM AQUELA BIXA DAQUELE PRESIDENTE QUE TEM UM PORCO ROSA NA MESA, ESSES DOIS TEM QUE SE COMER, ELES TEM QUE SER INTERNADOS NUMA SURUBA ETERNA, TEM QUE FICAR UM COMENDO O OUTRO A VIDA INTEIRA PRA ACABAR, SAIR DO FUTEBOL, PELO AMOR DE DEUS PAULO NOBRE, VOCÊ DEU 200 MILHÕES PRO PALMEIRAS NA MÃO DO ALEXANDRE MATTOS PRA ROUBAREM VOCÊ, VOCÊ É MUITO BURRO, PAULO NOBRE, VOCÊ É A ESCÓRIA DA PRESIDÊNCIA DO PALMEIRAS, VOCÊ E O BELUZZO, VOCÊS SÃO TUDO FARINHA DO MESMO SACO, VOCÊS NÃO MONTARAM PLANEJAMENTO NÃO, VOCÊS NÃO SABEM NADA DE FUTEBOL, O PALMEIRAS ACABOU, O PALMEIRAS TEM QUE NASCER DE NOVO COM OUTRO NOME, ESSA É A SOLUÇÃO. OBRIGADO A TODOS E É O ÚLTIMO: VAI TOMAR NO CU PALMEIRAS. 

EU NÃO JOGO MAIS
Mas vocês não né? Ganham 500 pau por mês, estão cada dia com um carro. A torcida ganha quanto? 800 reais por mês. Vocês estão de brincadeira, vocês tinham que ter vindo a pé. Comendo aquele lanche que eu comia. Aqueles pão Seven Boys, como é aquela marca, é Pullman né… Pão de forma. Aquele queijo que está lá há uma semana, grudado. Parecia até gorgonzola. E o presunto, aquele presuntão, não Sadia. VOCÊS TÃO DE SACANAGEM! VOCÊS NÃO CORREM - para não falar outra coisa, para não tomar processo por causa de vocês - VOCÊS VÃO PERDER O CAMPEONATO PARA O PALMEIRAS! AÍ SABE QUEM VAI AGUENTAR!? EU QUE VOU AGUENTAR! Aí no meu condomínio os caras: 'Aí, chupa, Neto'. EU NÃO JOGO MAIS! NÃO SOU EU QUE JOGO! SEUS ZÉ-RUELA DESGRAÇADOS! Eu que tenho que aguentar chegar na Band, e o porteiro: 'E aí, como é que foi?' Como é que foi a sua mãe. SOU EU O CULPADO!? EU QUE PERDI O JOGO!? Ô CARILLE, PARA COM ESSA CONVERSA MOLE DE QUE VAI DAR! NÃO VAI DAR! O Palmeiras vai ser campeão, infelizmente. 

Meu avô fumou a vida inteira
Meu avô fumou a vida inteira. Eu tinha uns 10 anos quando minha mãe lhe disse, "Se você pensa em ver seus netos se formarem, você tem que parar imediatamente". Uma lágrima escorreu dos olhos dele quando entendeu exatamente o que estava em jogo. Ele parou na hora. Três anos depois ele faleceu de câncer de pulmão. Foi muito triste e me deixou completamente sem chão. Minha mãe me disse "Nunca fume. Por favor, não faça sua família sofrer do jeito que seu avô nos fez". Eu obedeci. Aos 28, eu nunca sequer encostei num cigarro. Mas devo dizer, eu sinto um leve arrependimento por nunca ter feito isso, por que esse jogo me deu câncer mesmo assim. 

Questão de Respeito
Sim, eu sei que esse post não faz sentido, afinal, zoeira é parte do futebol, mas acho que dessa vez é meio desnecessário. Tava vendo um post sobre o nome do mascote do Flamengo ser José Roberto Wright e eu notei um comentário perguntando se o Atlético seria o Botafogo de Minas. Até aí tudo bem, deu pra notar a zoeira no comentário, só que havia um comentário lá de um cara (cujo nome não vou revelar) falando que o Botafogo ao menos forneceu bons jogadores a seleção, algo que é verdade, mas pra mim começou a desandar quando ele desviou do assunto e falou que o Atlético ganhou a Libertadores de forma cagada enfrentando 3 times pipoqueiros. Para quem foi atleticano na época de 2013 sabe como foi sofrido e já ouvi casos de torcedores rivais até torcendo pelo Galo, mas é claro, a mente clubista do nosso amigo faz pensar que Atlético foi horrível na Libertadores só porque pegou o Olimpia na final, mas claro vamos ignorar o fato de que o Olimpia já passou por 7 vezes na final. Outra coisa que ele falou é que ele falou é que jogadores como Marcos Rocha, Jô e Bernard eram ídolos do Galo, e isso eu rebato com a minha opinião que é, Marcos Rocha não era um bom lateral, no máximo melhor que o Guga, todos sabiam que Jô era baladeiro por isso eu ao menos olhava ele com um olho torto e Bernard não era ruim, porém não era mil maravilhas. Ao menos pra mim parece que poucos de 2013 viraram ídolos, sendo eles Vitor, Ronaldinho e Léo Silva (na minha opinião), e outros que participaram mas tiveram brilho mais tarde, como Dátolo se eu não me engano. Não me levem a mal, não estou achando ruim que a gente foi comparado com o Botafogo, até acho boa essa comparação quando o assunto é título, mas a minha surpresa é como nesse sub as pessoas podem só menosprezar um time que não é ruim só por ódio ou algo do tipo. E antes que me perguntem, eu não achei que o jogo de 81 foi roubado e sim equivocado. Outra coisa é que eu não consegui dizer se esse comentário foi zoeiro ou não. Espero que tenham lido esse texto todo e que entendam a minha opinião. 

Diguinho
Puta que pariu como esse Diguinho joga bola, merece seleção já a muito tempo, desde os tempos de Botafogo. Um volante que joga futebol com uma facilidade incrível. Marca muito, apóia bem o ataque, chuta, dificilmente erra um passe, ninguém passa dele e além de tudo marca na bola. Muitos contra-ataques ele salva o Fluminense, tem uma malandragem e conseguir ver onde está o jogador que pode receber o passe e cercar, se o cara tocar ele estica o pé e recupera a bola, se o cara tentar driblar ele rouba. 

Clássicos

Coragem, Felipão!
Coragem, Felipão! O meio-campo da Alemanha não marca muito. Escala o Willian. Deixa os 3 volantes para depois. Joga sem medo. Como Brasil... 

Encontrei o Ronaldinho no Sambola?!
Tava ele e mais um amigo. Fiquei revoltado quando vi ele, pois o cara só quer saber de festa e o futebol até agora nada, foi quando eu falei: Cadê o futebol Ronaldinho? Você só quer saber de festa, não ta jogando merda nenhuma, vtnc... Ele olhou assustado e logo disse: Quem é você pra me mandar tnc cumpadi? Olha o respeito. Eu falei: Cadê aquele Ronaldinho que o povo tava acostumado a ver? Infelizmente acho que o futebol tá acabando pra você Ronaldinho, você não faz nem mais diferença, virou apenas um jogador normal. Ele olhou pra mim e logo vi que lágrimas desciam do rosto dele. Ele veio de encontro a mim e disse: Você acha isso mesmo de mim garoto? Eu disse, também com os olhos marejados: Não Ronaldinho, eu sei que você é o cara, vai lá quarta e acaba com eles. Se cuida viu? Ele chorando, me deu um abraço e disse: Pode deixar, quarta é meu dia. Vou dar alegria para a nação... Deu a entender que quarta ele vi acabar com o jogo. Vamos esperar pra ver... 

DIVULGADO O ESCÂNDALO QUE TODO MUNDO SUSPEITAVA
Talvez, isso explique a razão do jogador Leonardo ter declarado a seguinte frase: "Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa do Mundo, ficariam enojadas". Todos os brasileiros ficaram chocados e tristes por terem perdido a Copa do Mundo de futebol, na França. Não deveriam. O que está exposto abaixo é a notícia em primeira mão que está sendo investigada por rádios e jornais de todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais especificamente Wall Street Journal of America e o Gazzeta dello Sport e deve sair na mídia em breve, assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos. Fato comprovado: O Brasil VENDEU a Copa do Mundo para a Fifa. Os jogadores titulares brasileiros foram avisados, às 13:00 do dia 12 de julho (dia do jogo final), em uma reunião envolvendo o Sr. Ricardo Teixeira (na única vez que o presidente da CBF compareceu a uma preleção da seleção), o técnico Mário Zagallo, o Sr. Américo Faria, supervisor da seleção, e o Sr. Ronald Rhovald, representante da patrocinadora Nike. Os jogadores reservas permaneceram em isolamento, em seus quartos ou no lobby do hotel. A princípio muito contrariados, os jogadores se recusaram a trocar o pentacampeonato mundial por sediar a Copa do Mundo. A aceitação veio através do pagamento total dos prêmios, US$70.000,00 para cada jogador, mais um bônus de US$ 400.000,00 para todos os jogadores e integrantes da comissão, num total de US$ 23.000.000,00 vinte e três milhões de dólares) através da empresa Nike. Além disso, os jogadores que aceitarem o contrato com a empresa Nike nos próximos quatro anos terão as mesmas bases de prêmios que os jogadores de elite da empresa, como o próprio Ronaldo, Raul da Espanha, Batistuta da Argentina e Roberto Carlos, também do Brasil. Mesmo assim, Ronaldo se recusou a jogar, o que obrigou o técnico Zagallo a escalar o jogador Edmundo, dizendo que Ronaldo estava com problemas no joelho esquerdo (em primeira notícia divulgada às 13h30 no centro de imprensa) e, logo depois, às 14h15, alterando o prognóstico para problemas estomacais). A sua situação só foi resolvida após o representante da Nike ameaçar retirar seu patrocínio vitalício ao jogador, avaliado em mais de US$90.000.000,00 (noventa milhões de dólares) ao longo da sua carreira. Assim, combinou-se que o Brasil seria derrotado durante a prorrogação, porém a apatia que se abateu sobre os jogadores titulares fez com que a França, que absolutamente não participou desta negociação, marcasse, em duas falhas simples do time brasileiro, os primeiros gols. O Sr. Joseph Blatter, novo presidente da Fifa, cidadão franco-suíço, aplaudiu a colaboração da equipe brasileira, uma vez que o campeonato mundial trouxe equilíbrio à França num momento das mais altas taxas de desemprego jamais registradas naquele país, que serão agravadas pela recente introdução do euro (moeda única europeia) e o mercado comum europeu (ECC). Garantiu, também, ao Sr. Ricardo Teixeira, através de seu tio, João Havelange, que o Brasil teria seu caminho facilitado para o pentacampeonato de 2002. Por gentileza passem esta mensagem para o maior número possível de pessoas, para que todos possam conhecer a sujeira que ronda o futebol! Desde, já agradeço. Um abraço. 

PEDRINHO DO VASCO - Me encontrei com ele hoje
Fui na Barra resolver umas paradas da minha faculdade (Estudo na Veiga de Almeida), depois que vi tudo, fui dar uma passada na praia. Quando to atravessando a rua, uma bmw me atropela HEUIAHSIEU, meio que me dá uma porradinha e eu caio no chão. Ai eu levanto na fúria, quando desce do carro, advinha quem é???? - Caralho Pedrinho, é tu mesmo???????? PEDRINHO: shhh, fala baixo porra. E ai, maluco, se machucou? EU: Claro que não cara, to sangrando aqui na perna mas ta tranks, porra me dá um autógrafo. PEDRINHO: Olha a ideia do cara, ta com a perna sangrando e quer autógrafo... É vascaíno pelo menos? EU: Claro que sou porra. Peguei meu chaveiro do Vasco e mostrei pra ele. PEDRINHO: Porra, tu é gente boa, podia estar aqui me xingando por ter te atropelado, mas me pediu um autógrafo. Entra no carro aí que vamos fazer um curativo nessa porra. EU: SÉRIO MANÉ? Nisso entrei no carro né, lá dentro tinham 3 mulheres gatíssimas, no banco de trás. Nisso já soltei uma no ouvido do Pedroca: - Caralho, pedroca, quem são essas 3 gostosas aí? PEDRINHO: Minha mulher e minhas duas filhas, seu filho da puta. ... PEDRINHO: TO ZUANDO LEKE, É TUDO VAGABUNDA. PORRA TU ME DIVERTE MUITO, NA MORAL, TU É UM MLK SAGAZ. AE PATTY, ESTÉFANI, TIO MAIA, ESSE É MEU AMIGO... COMO É TEU NOME MESMO? EU: É André Lima po... PEDRINHO: ESSE É O ANDRÉ LIMA, GENTE BOA, E VAI TOMAR UMA GELADA HOJE COM A GENTE. Nisso já fomos direto pro Novo Leblon, um dos condomínios mais picas da Barra. Rapaz, pra resumir a história, cheguei no apartamento 507 do bloco 3, meu amigo, o ap era um luxo. Entramos o Pedrinho e as 3 gatas. PEDRINHO: Ae mané, comigo é papum, tu já sabe né? EU: To vendo, mal me conhece já me trouxe pra boa. PEDRINHO: Mermão, e o Felipe Maestro, meu parceiro de Vasco... Quer conhecer? EU: CARALHO MAESTRO TA AQUI???? ELE: Ta porra, quer ver?????? EU: CLARO PORRA, KEDE ELE??? Nisso ele me mostra a trolha dele HEUIAHSUIEHAUISEHUIAHSUIEHAUISEHA pqp, mó cacetão cabeçudo - AQUI O MAESTRO AQUI FILHO DA PUTA. Móóóó pirocão! Comecei a rir, HEAUIHSEUIAHUISHEAUIHSE EU: VAI TOMAR NO CU PEDRINHO, HEUIAHSEUIAHEUISA! Ele já veio chamando a mulherada. PEDRINHO: AE MANÉ, ESCOLHE UMA E SE SENTE A VONTADE. Nisso peguei a Estéfani, comecei a meter forte nela, no sofá do Pedrinho. Meti mt. E o Pedrinho só nas duas, comendo as mulheres. Quando eu olho pro lado mané, vi o Pedrinho comendo a mulher... EU: COÉ PEDRINHO, TU TA FAZENDO A MESMA CARA DO REBAIXAMENTO DO VASCO EM 2008, HEIUAHSUIEHAUISE O PEDRINHO COMIA A MULHER CHORANDO VIADO HEUIAHSEUIHAUISHEUIAHUISEHAUIS CARALHO, COMECEI A RIR, QUASE BROCHEI Soquei bem na mulher. Gozei. Pedrinho gozou também. EU: AE PEDROCA, TENHO QUE IR LÁ... PEDRINHO: JAÉ, vou te dar meu número, qualquer coisa to me liga, tu é parceiro. EU: ESSAS PIRANHAS SÃO ÓTIMAS. PEDRINHO: Pois é, to cheio de dor nas costas. EU: CARALHO PEDRINHO, JÁ SE CONTUNDIU DE NOVO??? ATÉ FUDENDO TU É DE VIDRO, CHINELINHO DE FODA, HEUIAHSUIEHAIUSEHUIAHSUIEHAUIS PEDRINHO: HEUIAHSEUIAH SAI MLK. Aí me passou o número dele. Caralho, mt mt mt gente boa! 
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2020.12.01 18:41 Majestic-King6719 O estranho caso da twitch.

Devo dizer que estou um pouco assustado, tudo começou a pouco tempo, eu acompanho um canal pequeno na twitch e em meio a uma live de Outlast 2 só que no meio da live passou algo atrás dele,era uma sombra negra,que olhava para ele e evaporava rapidamente , gravei a tela e tentei mostrar para alguns amigos mas eles não acreditaram, ele postou um vídeo de melhores momentos da live no youtube e essa "Sombra" aparece, tenho o clipe sem nenhuma edição e comecei a pesquisar sobre, coisas estranhas começaram a me acontecer e o streamer que eu disse parou de fazer lives frequentemente, ele já relatou coisas estranhas como uma espécie de homem vestido de" Jesus" caminhando pela casa e agora depois que comecei a pesquisar essas coisas estou sendo atormentado por pesadelos e ele privou parte de suas fotos no instagram,infelizmente ninguém acedida em mim e falam que foi coincidência ou estou mentindo,enfim se alguém se interessar ficarei feliz em mostrar as provas, mas acho que esse post será ignorado
Obrigado
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2020.12.01 15:21 FLC_Ver Seu Sangue Capítulo 2

5 de junho de 2000
20:15
– Senhor? senhor!?
– Eu não sei pq fiz aquilo...– falo com uma voz baixa
– Fez oq?
– ...
– Senhor?
 •••• 
5 de março de 1997
14:30
Eu estava no trabalho, cansado, eu estava lá no escritório fazendo a planilha chata, eu tava com sede então eu fui beber água, foi quando eu olhei pro lado e me deparei com ela. Samara?...oq ela faz aqui? E na mesa do chefe!? – eu pensei isso mas não pensei nisso o dia todo e voltei ao trabalho.
Mais tarde as 15:50 eu e meus amigos toni, billy e gabriel estavamos na pausa, comendo, foi aí que o chefe anúnciou.
– Pessoal!, Essa é a Samara ela irá trabalhar aqui nesse departamento!
– Oi! – fala ela sorrindo e levantando a mão aberta.
Não estava surpreso por ela ter sido contratada aliás oq mais alguém faria na mesa do chefe? Alguém que não trabalha aqui, mas eu estava surpreso pela coincidência. Depois da apresentação o chefe voltou pra mesa e fomos voltar ao trabalho, no caminho estava ela.
– Oi Mario – fala ela sorrindo um pouco agitada
– Oi, Samara
– Eu não sabia que você também trabalhava aqui, que coincidência né?
– É
Eu queria sair daquela conversa um tanto desconfortável, e por isso Obrigado chefe!
– MENOS PAPO E MAIS TRABALHO! – grita o chefe em pé
– Bom eu vou indo, tchau Mario.
– Tchau.
 •••• 
5 de junho de 2000
20:15
– Não sabe porque a matou, é isso que quer dizer?
– ...
– Como fez aquele túnel?
– Ele já estava lá...eu só achei
– E como o senhor achou?
– ...
– Ok
A delegada saiu da sala e eu estava lá, deprimido, pensando em como aquilo foi acontecer, é quando eu ouço...
– Mario! Pq!?
– Samara! – me levanto da cadeira assustado olhando ao redor – Samara!?
Acho que só foi uma alucinação... A delegada volta a sala para me levar a cela da delegacia.
6 de junho de 2000
00:40
Eu não consigo dormir, não pelo ambiente em que eu estou mas sim pensando no que aconteceu. Como eu pude fazer aquilo? Por que eu fiz aquilo? São perguntas que não teram resposta ou demoraram para ter respostas... Me levanto e vou até a pia lavar meu rosto, foi quando eu vi no espelho
– Mario Porque!?
– AAAAA – grito caindo no chão.
O guarda acordou assustado e chegou na cela
– Oque ta acontecendo? – ele me vê com a laterna, deitado lá, apoiado na cama – Vai dormir!
Eu volto pra cama mas ainda não consigo durmir...
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2020.12.01 13:39 BlindEyeBill724 A dificuldade apologética do espiritismo

Bom dia a todos,
Fui convidado recentemente para participar da subreddit Espiritismo,e estão acontecendo diversas conversas, muitas vezes frutíferas, também em outras comunidades que participo, nominalmente, a Filosofia e ateismo_br, e gostaria de deixar minha contribuição. Como sabem, busco uma apologética que possa criar um diálogo efetivo com o mundo secular, na perspectiva cristã me parece claro que não posso partir, se pretendo a racionalidade, da Bíblia, pois se o mundo secular partisse da validade da Bíblia não seria secular por principio. Igualmente, uma apologética que partisse de uma análise histórica da Bíblia nos colocaria num debate sem fim e infrutífero, pois mesmo que todos os fatos narrados na Bíblia, principalmente aqueles referentes à Cristo, sejam verdadeiros, isso não é suficiente de per se (por si mesmo) para se provar a verdade do Cristianismo, pois poderia ser obra de um alienígena, de um mago, de um espírito, e qualquer explicação que se queira dar. Por fim, é evidente que argumentos filosóficos puros quanto a existência de Deus não são suficientes (as cinco vias de São Tomás p.ex), não só porque o Princípio não é a mesma coisa que o Deus das revelações, mas porque existe uma diferença tão grande entre as cosmovisões modernas e a antiga que tudo acaba em alegações de special pleading e petitio principii.
Então, meu trabalho aqui (no reddit em geral) é, dentro de minhas imensas limitações, tentar esclarecer a cosmovisão antiga, a moderna (principalmente por uma análise da ciência a partir dos próprios cientistas e filósofos da ciência neutros), para, após o que se chama na Teologia de Praeambula Fidei (os preâmbulos da fé), conseguir ir aos argumentos filosóficos puros, e daí fundar uma apologética. O que eu falo é algo também diferente do que os amigos ateus consideram o caminho mais comum de defesa do Cristianismo, por exemplo, parto do que se chama "Teísmo Clássico", se diferenciando da apologética personalista cristã que é mais comum e se encontra em apologistas famosos como Craig e Plantinga, que já partem de uma epistemologia moderna, o Teísmo Clássico parte principalmente ao pensamento filosófico clássico, principalmente aristotélico.
Ok. Para que tudo isso? Não sou espírita, sou católico, e espero não soar agressivo, se o for, me perdoem, tento permanecer somente na perspectiva da apologética, e de minhas próprias visões se vê que o que eu direi se deriva quase que necessariamente. O que eu digo pode ser interpretado de várias formas, como uma crítica ou como um caminho possível de apologética que os próprios amigos espiritas podem tentar desenvolver depois. Aos amigos ateus alguns pontos podem se revelar interessantes. Não acredito que esses pontos possam ser provados errôneos a partir de um aprofundamento na doutrina espírita, visto serem bastante gerais e amplos, caberia aos amigos espíritas me esclarecer nesses pontos, tendo em vista que simplesmente afirmar não consiste num argumento (é preciso dizer exatamente onde a doutrina espírita escapa desses apontamentos).
Em minha visão o espiritismo acabaria permanecendo no meio do caminho entre ambas as cosmovisões e teria uma dificuldade quase insuperável para iniciar uma apologética racional (que possa ser universalmente aceita). Seria como um Frankenstein, conta com a racionalidade científica, se fundamenta apologeticamente (em sua defesa racional) nos experimentos, absorve a cosmovisão moderna, por outro lado, não bebeu o cálice da ciência até o fim, e não aceita plenamente os conceitos do método científico, e das definições de matéria que daí se derivam. Ou seja, da cosmovisão clássica mantém um conceito de "Princípio" e do sobrenatural.
Parece-me que a afirmação de que o teísmo seja menos racional que o espiritismo, então, um tanto difícil de se defender quando se pontua como ambos, o teísmo e o espiritismo, se articulam racionalmente. Para o teísta, a existência do Princípio se deriva da razão natural mediante argumentos filosóficos puros (o ateu pode, e segundo minha visão fará, discordar desses argumentos filosóficos por uma diferença de cosmovisão), claro, esse não é o Deus da Revelação, porém, é uma discussão que se dá no âmbito da fé e da secularidade num common ground racional. Porém, o espiritismo pode usar, justamente por ela ser universal, a argumentação teísta sobre o Princípio, mas dela jamais se derivará a hipótese dos espíritos mediante a razão pura. O espiritismo estaria preso na questão do testemunho dos próprios espíritos. Como escapar disso? Justamente por ser intermediário entre as cosmovisões antigas e modernas, ele apelará para o método científico, mas ai sua sorte não será melhor. O religioso pode partir da existência do Princípio, mas não se pode provar, por argumentos puramente racionais (por mais que se faça um esclarecimento entre as diversas cosmovisões) que os espíritos existem para, só depois, analisarmos o significado desse fato abordável originalmente pela razão. O mais próximo que eles chegariam disso é a argumentação quanto a imortalidade da alma, mas mesmo assim o trabalho de fundamentação racional é sinuoso, e novamente se escapa do método científico.
Entendamos, o teísta trabalhará na distinção entre as esferas da ciência, da filosofia e da religião, não faz sentido buscar provas empíricas de fenômenos espirituais (na cosmovisão clássica) e falarei brevemente do porquê. Antes, noto que quando digo cosmovisão clássica falo de algo que transcende o cristianismo e o próprio monoteísmo, mas essa é uma discussão que tornaria tudo por demais longo e complexo, e por isso me furto de trata-la aqui. O método científico exige repetibilidade universal, tal tem que ser apreendido da mesma maneira sempre e em todos os lugares, nenhum milagre cristão foi assim, isso tem um sentido de ser, se Deus é o Princípio, é o princípio de toda ordem natural, se ele intervisse na ordem natural de forma tal que tal fosse possível de ser apreendido sempre, que pudesse ser universalmente repetível, ora, isso não seria uma milagre, seria uma lei da natureza. Ainda que eu, como cristão, defenda a existência real dos milagres, e que, portanto, poderiam ter sido presenciados mesmo por ateus, é claro que eu não afirmo que eles poderiam adentrar na perspectiva científica, pois é evidente que nunca alcançaram a repetibilidade universal, para o homem religioso todo o cosmos é uma hierofania (uma manifestação do sagrado, do milagre) desde o princípio. É aqui que a porca torce o rabo, não consegue o espiritismo alcançar o reconhecimento por parte do método científico simplesmente porque nunca conseguiu, e nem me parece possível de conseguir, a repetibilidade universal, ele sempre dependerá das teorias científicas puras, que consideram os espíritos inexistentes, para iniciar a busca pela "prova científica". O espirita sempre alegará que algo impediu a manifestação, e o secular alegará, com razão, que ele precisará da repetibilidade universal, no mínimo, para poder ser analisado cientificamente, existe muito mais, é claro, para se fazer para algo virar uma teoria científica, se algo paranormal adentrasse no horizonte da consciência científica dificilmente sua interpretação seria radicalmente diversa da atual, pois envolveria uma mudança completa do paradigma. A prova que se pode tentar em termos filosóficos (isso é, após o trabalho prévio que já citei), trata da imortalidade da alma, e não de uma forma de imortalidade de uma matéria que acompanharia ou constituiria a alma, se a alma é pessoal, como que todos os espíritos combinarão se manifestar sempre que um cientista quiser analisar o espiritismo?
É, na minha visão, esse caráter anfíbio, de Frankenstein, do espiritismo que torna extremamente difícil realizar dele uma apologética, uma defesa racional. Ele acabaria caindo na validade de seu testemunho e de sua historicidade, o que é insuficiente para uma apologética racional.
Peço perdão por qualquer erro e agradeceria qualquer contribuição.
Um ótimo dia à todos!
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2020.12.01 00:08 le_dy0 Desabafo de quem ainda não sabe o que fazer da vida

Boas pessoal, desde já quero dizer que não sou nenhum escritor e que me desculpem pela sarrabulhada de ideas/desabafos que vou acabar de escrever sem ordem nenhuma mas tinha que desabafar com alguém e como não tenho amigos, pensei em vir cá.
Não quero dizer o meu nome mas neste momento tenho 24 anos e isto começa desde que saí da escola, aliás, começou antes, no último ano do curso já estava a faltar 2-3 dias por semana, andava todo perdido e não tinha vontade nenhuma de fazer qualquer coisa que fosse, mas pronto, 12º ano acabou e eu, completamente perdido e sem saber o que fazer acabei por me isolar no quarto durante 2 anos enfiado no PC, desde os 18 até aos 20. O único contacto que tinha era a minha família, o meu pai que passava a vida a trabalhar e a minha mãe que tinha tido um AVC forte á uns anos e nunca mais foi autónoma ou seja precisava de alguém para a ajudar a fazer coisas básicas como ir a casa de banho, e com o meu irmão que já não viva cá em casa e tinha a vida dele mas vinha cá de longe a longe. Nunca fui muito bom a socializar, sempre tive dificuldades em fazer amigos mas desde aí a ansiedade social é algo com que lido diariamente. Há vezes que me sinto bastante sozinho mas também não sei como mudar isso... Quer dizer, sei, mas ao mesmo tempo não sei, se isso faz algum sentido para vocês.
Bem, voltando atrás, claro que ficando sem fazer nada durante 2 anos, fiquei obeso (126kg na altura). Por volta dos meus 20anos, o meu irmão lá convenceu o meu pai a inscrever-me numa nutricionista, que me ajudou bastante e consegui perder bastante peso. Tive a ser acompanhado durante 8 meses e nesse tempo perdi cerca de 35kg. Hoje ainda estou gordito com cerca 85kg (acho eu, já nao me peso a uns meses lol) mas claro que me sinto bastante melhor fisicamente, ainda gostava de perder mais massa gorda mas não me sinto com capacidade mental para seguir um plano de exercicio e comer "saudável".
Entre os 20 e os 21 o meu pai conseguiu arranjar-me um part time de 2h por dia num posto de combustível só para me tirar de casa. Resultou, comecei a lidar com mais pessoas (era eu que metia o combustível nos carros), sempre com bastante dificuldade e muito nervoso mas lá tentava fazer o meu melhor. Andei a fazer isto durante 1 ano, ganhei alguma confiança de volta em mim mas nem perto do que gostava de ter.
Em 2017 comecei a procurar um emprego a fulltime e claro, sendo eu do Norte e vivendo numa zona industrial, consegui emprego para uma fábrica têxtil. Duas semanas a trial a ver se aprendia a trabalhar com aquilo, empenhei-me e lá consegui o emprego. Trabalhei nessa fábrica até ao mês passado deste ano, trabalho duro e mal pago, como era de esperar mas tinha alguns colegas de trabalho com quem eu me dava minimamente bem, nada mais que isso mas sentia-me bem á volta deles, talvez porque já eramos colegas á 3 anos. Mudei-me para outra fábrica têxtil que me paga melhor mas claro, continua a ser um trabalho duro. Como não sei fazer amigos, neste último mês praticamente não falei com ninguém, apesar de ganhar mais, não me sinto bem, sinto-me sozinho e estou a começar a arrepender-me da mudança.
Neste momento tenho 24 anos, a caminho dos 25, tiro cerca de 715€ por mês e queria ir viver sozinho porque não tenho espaço para as minhas coisas e gostava de ser independente mas apesar de conseguir casa arrendada por 250/300€, não tenho grande dinheiro de parte para o resto das despesas iniciais (mobilia, etc), nem sei se com esse salário conseguiria viver sozinho. Não tenho grandes vícios a não ser jogar PC, tenho gastos normais de um carro, mas fora disso só necessidades básicas e comida. Também não tenho amigos portante saidas á noite e assim é 0, seja com covid ou sem covid.
Gostava de mudar para o turno noturno para ganhar mais um bocado (900 e tal, já não me lembro quanto me disseram ao certo) mas não tenho ninguém que cuide da minha mãe durante a noite porque o meu pai também trabalha de noite portanto fica fora de questão infelizmente, não sei quando ele vai meter os papéis para a reforma, apesar de já ter idade e anos de caixa, quando lhe pergunto quando o vai fazer ele diz que não sabe e abana os ombros como se levasse a mal portanto não quero estar a insistir no assunto.
Gostava de mudar de carro mas continuo a ter o mesmo problema, ganho pouco.
Gostava de mudar a minha área de trabalho mas não sei como o fazer ou para que área quero ir, a única coisa que gosto são PCs e dúvido que consiga arranjar trabalho nisso, apesar de ter experiência a lidar com hardware, normalmente só pedem pessoal com uni ou qualquer tipo de curso específico.
Gostava de conseguir fazer amigos mas continuo sem saber como o fazer, mesmo que tente, não sei ter aquela conversa que o pessoal chama de "small talk", nem sei falar sobre alguma coisa que não goste ou tenha alguma opinião. Quando alguém tenta falar comigo pessoalmente, ou eu respondo e depois fica aquele silêncio awkward porque a pessoa deixa de falar ou eu respondo e digo alguma merda estúpida que só me apetece esconder. Sinto que tenho sempre aquela aura de "não fales para mim" á minha volta mas não sei como mudar isso.
Gostava de perder mais peso mas não me sinto capaz de ter a disciplina necessária para isso.
Gostava de ter mais confiança em mim.
Gostava de ser capaz de conseguir olhar para alguém nos olhos por mais de 1 segundo.
Gostava de não ficar todo atrapalhado quando alguém que não conheço fala comigo sobre algo que não estou a espera.
Vejo as pessoas que cresceram comigo a ter filhos, a ter bons empregos e carreiras profissionais, a comprar casa, a casar e sinto que estou a ver a vida a passar rápido e eu a ficar para trás.
Sinto que desperdicei oportunidades nos meus anos de escola seja em área profissional, seja a ser mais social e a fazer amigos e mantê-los, e quanto mais o tempo passa, mais o arrependimento começa a entrar-me na cabeça. Ando aqui perdido.
Bem é tudo, quem chegou a fim desta muralha de texto, um grande obrigado.

EDIT: Desde já quero agradecer a quem tirou um bocado do seu tempo para me dar um conselho, ou qualquer tipo de feedback sobre o rumo que deva seguir. Recebi imenso feedback e mensagens com situações parecidas e bastantes conselhos e por um lado sinto-me melhor por saber que não sou o único em sitações destas, e depois de ler algumas das situações que me mandaram, sinto-me motivado para mudar.
Comprei 1 livro recomendado por uma pessoa aqui como forma de compromisso na mudança que quero fazer na minha vida.
Vou começar a fazer pequenas mudanças tipo exercicio fisico seja 10-20min por dia, só para ganhar aquela disciplina e para me tirar da frente do PC alguns minutos.
Vou tentar escrever o que faço todos os dias para sentir que estou a fazer algum progresso.
Vou tentar aprender programação, é uma área que sempre tive alguma curiosidade e visto que há uma quantidade abundante de guides e tutoriais online sem que eu precise de sair de casa, vou tentar.
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2020.11.30 17:11 BlindEyeBill724 Lendo Rosenberg, Part II de XI, tradução do Prof.Edward Feser

Lendo Rosenberg, Part II de XI, tradução do Prof.Edward Feser


Este post é a continuação das traduções dos artigos que o Prof.Edward Feser escreveu a respeito do livro “The Atheist’s Guide to Reality” (o outro já traduzido se encontra aqui https://www.reddit.com/ApologeticaCrista/comments/jxtr9g/lendo_rosenberg_part_i_de_xi_tradu%C3%A7%C3%A3o_do/ )
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Vimos na parte I desta série que o novo livro de Alex Rosenberg, "The Atheist’s Guide to Reality", é menos sobre ateísmo do que sobre cientificismo, a visão de que somente a ciência nos dá conhecimento da realidade. Isso ocorre em dois aspectos. Em primeiro lugar, o ateísmo de Rosenberg é apenas uma implicação entre outras de seu cientificismo, e o objetivo do livro é esclarecer o que mais se segue do cientificismo, em vez de dizer muito em defesa do ateísmo. Em segundo lugar, que se segue de seu cientificismo é, portanto, o único argumento que Rosenberg realmente dá para o ateísmo. Portanto, muito do que ele tem a dizer, em última análise, repousa sobre seu cientificismo. Se ele não tem bons argumentos para o cientificismo, então ele não tem bons argumentos para o ateísmo ou para a maioria das outras conclusões mais bizarras que ele defende no livro.
Então, Rosenberg tem bons argumentos para o cientificismo? Não. Na verdade, ele tem apenas um argumento a favor, e é terrível.
O que é cientificismo?
Antes de olharmos para o argumento, vamos considerar como Rosenberg caracteriza o cientificismo:
“Cientificismo”… é a convicção de que os métodos da ciência são a única maneira confiável ​​de garantir o conhecimento de qualquer coisa; que a descrição do mundo pela ciência está correta em seus fundamentos; e que, quando “completo”, o que a ciência nos diz não será surpreendentemente diferente do que nos diz hoje. (pp. 6-7)

Como já observei em outro lugar, o problema com a afirmação de que a ciência é a única fonte confiável de conhecimento é que ela é autodestrutiva ou trivial - autodestrutiva se interpretarmos de forma restrita o que conta como "ciência" (uma vez que o cientificismo é em si uma teoria metafísica e epistemológica e não uma visão que a física, a química ou qualquer outra ciência em particular tenha estabelecido) e trivial se interpretarmos "ciência" de forma ampla (já que, nesse caso, a filosofia, e em a metafísica e a epistemologia particulares contam como “ciências” não menos do que a física, a química e outras). Rosenberg certamente evita o segundo chifre desse dilema. Pois sua interpretação do que conta como "ciência" é muito estreita, de fato:
Se quisermos ser científicos, temos que atingir nossa visão da realidade a partir do que a física nos diz sobre ela. Na verdade, teremos que fazer mais do que isso: teremos que abraçar a física como toda a verdade sobre a realidade. (p. 20)
Certamente, ele não nega que a química, a biologia e a neurociência também nos fornecem conhecimento. Mas isso é apenas porque ele pensa que eles são redutíveis à física: “Os fatos físicos fixam todos os fatos. [Isso] significa que os fatos físicos constituem, determinam ou provocam todos os demais fatos. ” (p. 26)
Agora, alguns naturalistas contestarão neste ponto, preferindo um "fisicalismo não reducionista", ou um "emergentismo" ou alguma outra doutrina diferente do reducionismo radical de Rosenberg. Como vários químicos e filósofos da química têm argumentado nos últimos anos, é no mínimo discutível se mesmo a química é realmente redutível à física. (Para uma visão geral útil da literatura, consulte o capítulo 5 do livro Philosophy of Chemistry de J. van Brakel. Também é útil o artigo da Enciclopédia de Filosofia de Stanford sobre a filosofia da química.) O reducionismo em biologia está ainda mais obviamente aberto a desafios. E, claro, se a consciência e o pensamento e ação humanos podem ser explicados em termos fisicalistas é notoriamente controverso mesmo entre os próprios naturalistas - Fodor, McGinn, Searle, Nagel, Levine, Strawson e Chalmers são apenas alguns dos filósofos naturalistas proeminentes da mente que têm criticado as tentativas existentes de seus companheiros naturalistas de explicar a mente em termos puramente materialistas.
Agora, eu simpatizo com esses argumentos, mas não acho que eles estabelecem uma forma alternativa de naturalismo. Pois o que eles mostram, eu argumentaria, é que as características de nível superior da realidade material não são menos reais do que as características de nível inferior, que as características de nível inferior não são de alguma forma ontologicamente privilegiadas. E, dessa forma, eles mostram (mesmo que apenas incipientemente, e mesmo que seus proponentes muitas vezes não percebam) que algo como uma concepção holística e aristotélica das substâncias materiais está correta, afinal. Falar de "emergência", "fisicalismo não redutivo" e coisas do gênero falsifica isso, porque insinua que as características de nível inferior descritas pela física ainda são de alguma forma mais fundamentais do que as de nível superior, mesmo que as de nível superior são consideradas irredutíveis. Este último, está implícito, de alguma forma tem que “emergir” do primeiro. Tais visões tendem a soar obscurantistas precisamente porque equivalem a uma posição intermediária instável entre o naturalismo reducionista da variedade de Rosenberg e o anti-reducionismo aristotélico tradicional.

Eu diria, então, que é preciso ir até o fundo do poço pelo reducionismo ao estilo de Rosenberg ou jogar fora toda a estrutura naturalista (junto com a "emergência" e outras meias-medidas) e retornar a uma metafísica aristotélica desenvolvida de substâncias materiais. Nessa medida, acho que Rosenberg está certo em sustentar que se alguém está comprometido com o cientificismo, então ele deveria sustentar que "os fatos físicos fixam todos os fatos". (Obviamente, alguns vão contestar esta condição, mas uma vez que constitui um ponto de acordo entre Rosenberg e eu, não vou prosseguir com isso aqui.)

Se Rosenberg evita um dos chifres do dilema, entretanto, ele se joga de cabeça no outro. Pois como exatamente o cientificismo foi estabelecido pela física, química, biologia ou mesmo neurociência (se permitirmos, por uma questão de argumento, que a neurociência é redutível à física)? O cientificismo faz previsões que foram rigorosamente confirmadas? Existe algo como um experimento de Michelson-Morley em que o cientificismo prova seu sentido de uma maneira como nenhuma teoria rival faz? Fazer tais perguntas é respondê-las. O fato é que a neurociência não chegou nem perto de descobrir exatamente o que acontece no cérebro quando os cientistas formam hipóteses, constroem teorias, fazem inferências preditivas, desenvolvem testes experimentais, escrevem seus resultados, submetem-nos à revisão por pares, etc. Quer dizer, a neurociência nem mesmo explicou a prática da própria ciência em categorias puramente neurocientíficas, muito menos mostrou que nenhuma outra prática pode produzir conhecimento genuíno. O cientificismo permanece o que sempre foi - uma especulação puramente metafísica e não uma teoria empírica, muito menos uma teoria empírica confirmada.
Sem dúvida, seremos tratados neste ponto com alguns acenos de mão no sentido de que mesmo que a neurociência “ainda” não tenha explicado totalmente a prática científica, também não revelou qualquer evidência de que existem outras fontes de conhecimento além da ciência. Mas se a neurociência é a única fonte genuína de conhecimento sobre como chegamos a ter conhecimento, isso é parte do que está em jogo na disputa entre o cientificismo e seus críticos. Portanto, argumentar “Não temos evidências neurocientíficas de que exista qualquer fonte genuína de conhecimento além da ciência, portanto, não há motivos para acreditar que existam tais fontes alternativas” seria simplesmente realizar uma petição de princípio.
A joia de Rosenberg
Tudo isso poderia parecer discutível se Rosenberg tivesse um argumento realmente poderoso a favor do cientificismo. Mas ele não tem. David Stove certa vez deu o rótulo irônico de “a Joia” a um argumento de Berkeley a favor do idealismo que ele considerava especialmente ruim. O argumento de Rosenberg para o cientificismo deixa Berkeley no chinelo, pois é uma verdadeira joia. Ele afirma isso várias vezes no livro:
O sucesso tecnológico da física é por si só suficiente para convencer qualquer pessoa com ansiedade sobre o cientificismo de que, se a física não estiver "acabada", certamente tem os contornos gerais da realidade bem compreendidos. (p. 23)
E não é apenas a exatidão das previsões e a confiabilidade da tecnologia que exige que coloquemos nossa confiança na descrição da realidade pela física. Como as previsões da física são tão precisas, os métodos que produziram a descrição devem ser igualmente confiáveis. Caso contrário, nossos poderes tecnológicos seriam um milagre. Temos as melhores razões para acreditar que os métodos da física - combinando experimento controlado e observação cuidadosa com requisitos principalmente matemáticos sobre a forma que as teorias podem assumir - são os adequados para adquirir todo o conhecimento. Identificar alguma área de “investigação” ou “crença” como isenta de exploração pelos métodos da física é um special pleading ou autoengano. (p. 24)
A precisão fenomenal de sua previsão, o poder inimaginável de sua aplicação tecnológica e a extensão e os detalhes de tirar o fôlego de suas explicações são razões poderosas para acreditar que a física é toda a verdade sobre a realidade. (p. 25)
O argumento de Rosenberg, então, é essencialmente estes:
  1. O poder preditivo e as aplicações tecnológicas da física não têm paralelo com os de qualquer outra fonte de conhecimento.
  2. Portanto, o que a física nos revela é tudo o que é real.
Quão ruim é esse argumento? Quase tão ruim quanto este:
  1. Os detectores de metal tiveram muito mais sucesso em encontrar moedas e outros objetos metálicos em mais lugares do que qualquer outro método.
  2. Portanto, o que os detectores de metal nos revelam (moedas e outros objetos metálicos) é tudo o que é real.
Os detectores de metal estão ligados aos aspectos do mundo natural suscetíveis de detecção por meios eletromagnéticos (ou qualquer outro). Mas por melhor que executem essa tarefa - na verdade, mesmo se tivessem sucesso em todas as ocasiões em que foram implantados - simplesmente não aconteceria por um momento que não há aspectos do mundo natural além daqueles aos quais são sensíveis . Da mesma forma, o que a física faz - e não há dúvida de que o faz de maneira brilhante - é capturar aqueles aspectos do mundo natural suscetíveis de modelagem matemática que torna possível a previsão precisa e a aplicação tecnológica. Mas aqui também, simplesmente não segue por um momento que não há outros aspectos do mundo natural.
Aqueles que rejeitam o cientificismo de Rosenberg, então, não são culpados de "special pleading ou autoengano", apesar da fanfarronice condescendente de Rosenberg. Em vez disso, eles são (ao contrário de Rosenberg) simplesmente capazes de reconhecer um non sequitur descarado quando o veem. Infelizmente, fanfarronice condescendente é tudo o que Rosenberg sempre oferece, além de seu non sequitur favorito. Aqui está um pouco mais:
"Cientificismo" é o rótulo pejorativo dado à nossa visão positiva por aqueles que realmente querem ter seu bolo teísta e jantar à mesa das generosidades da ciência também. Os oponentes do cientificismo nunca acusariam seus cardiologistas, mecânicos de automóveis ou engenheiros de software de “cientificismo” quando sua saúde, planos de viagem ou navegação na Web estivessem em perigo. Mas tente submeter seus costumes e normas não científicas, sua música ou metafísica, suas teorias literárias ou política ao escrutínio científico. A resposta imediata das cartas humanitárias indignadas é "cientificismo". (p. 6)
De acordo com Rosenberg, então, a menos que você concorde que a ciência é a única fonte genuína de conhecimento, você não pode consistentemente acreditar que ela nos dá algum conhecimento genuíno. Isso é tão plausível quanto dizer que, a menos que você pense que os detectores de metal por si só podem detectar objetos físicos, então você não pode consistentemente acreditar que eles detectam quaisquer objetos físicos. Talvez alguém que pensa que os detectores de metal nos dão um conhecimento exaustivo do mundo poderia escrever um "Guia para a realidade do Metalicista" e "argumentar" da seguinte forma:

“Metalicismo” é o rótulo pejorativo dado à nossa visão positiva por aqueles que realmente querem ter sua pedra, água, madeira e bolos de plástico e jantar na mesa de generosidades metálicas também. Os oponentes do metalicismo nunca acusariam seus amigos donos de detectores de metal de “metalicismo” quando eles precisassem de ajuda para encontrar as chaves do carro ou moedas perdidas no sofá. Mas tente submeter seus costumes e normas não metálicas, sua música ou metafísica, suas teorias literárias ou políticas ao escrutínio metalúrgico. A resposta imediata de cartas humanitárias indignadas é "metalicismo".
Claro, “metalicismo” é absurdo. Mas também é o cientificismo de Rosenberg.
Aqueles que estão em dívida com o cientificismo estão fadados a protestar que a analogia não é boa, com base no fato de que os detectores de metal detectam apenas parte da realidade, enquanto a física detecta a totalidade. Mas tal resposta seria simplesmente uma petição de princípio, pois se a física realmente descreve toda a realidade é precisamente o que está em questão.
Estou sendo duro com Rosenberg, e ele merece por apresentar argumentos tão transparentemente ruins e com tanta arrogância. Mas é justo notar que ele não está sozinho na ilusão de que sua Joia é uma espécie de argumento arrasador para o cientificismo. Ouve-se esse estúpido non sequitur repetidamente quando discutimos com os novos tipos ateus. Está implícito toda vez que algum "Internet Infidel" pergunta triunfantemente: "Onde estão os sucessos preditivos e as aplicações tecnológicas da filosofia ou da teologia?" Isso é tão impressionante quanto nosso ficcional “metálico” presunçosamente exigente: “Onde estão os sucessos de detecção de metais de jardinagem, culinária e pintura?” - e então cumprimentando seus colegas metalicistas quando não podemos oferecer nenhum exemplo, pensando que ele estabeleceu que plantas, alimentos, obras de arte e, na verdade, qualquer coisa não metálica são inexistentes. Pois por que deveríamos acreditar que somente métodos capazes de detectar metais nos dão acesso genuíno à realidade? E por que deveríamos acreditar que, se algo é real, então deve ser suscetível à predição matematicamente precisa e à aplicação tecnológica característica da física? Eu suponho que não há resposta para esta pergunta que não implemente a pergunta.

Como sempre, as gerações anteriores de céticos foram mais sábias do que a geração intelectualmente atrasada de Dawkins. Por exemplo, Bertrand Russell estava bem ciente de que, longe de nos dar uma imagem exaustiva da realidade, a física na verdade nos dá é quase o oposto e é ininteligível, a menos que haja mais na realidade do que aquilo que ela nos revela:
Nem sempre se percebe o quão excessivamente abstrata é a informação que a física teórica tem a oferecer. Ele estabelece certas equações fundamentais que permitem lidar com a estrutura lógica dos eventos, deixando-o completamente desconhecido qual é o caráter intrínseco dos eventos que a possuem. Só conhecemos o caráter intrínseco dos eventos quando eles acontecem conosco. Nada na física teórica nos permite dizer algo sobre o caráter intrínseco dos eventos em outros lugares. Eles podem ser exatamente como os eventos que acontecem conosco ou podem ser totalmente diferentes de maneiras estritamente inimagináveis. Tudo o que a física nos dá são certas equações que fornecem propriedades abstratas de suas mudanças. Mas quanto ao que muda, e do que muda de e para - quanto a isso, a física silencia. (Meu Desenvolvimento Filosófico, p. 13)
Além disso, o tremendo sucesso da física na previsão e na aplicação tecnológica é precisamente o resultado de sua negligência deliberada de qualquer aspecto da realidade que não se encaixe em seus métodos orientados matematicamente. Os primeiros pensadores modernos, como Bacon e Descartes, procuraram reorientar a ciência em uma direção prática e tecnológica deste mundo. A matemática facilitou isso; aspectos do mundo que não podiam ser modelados matematicamente eram uma distração. Consequentemente, eles foram relegados ao status de meras “qualidades secundárias” ou tratados como características que são o estudo apropriado da metafísica ao invés da física. Essa foi menos uma descoberta metafísica, porém, do que uma estipulação metodológica. Se você se propõe a estudar apenas os aspectos da realidade que podem ser rigorosamente previsíveis e controláveis, você certamente descobrirá que esses são os únicos que descobrirá. Mas é absurdo fingir que você mostrou assim que não há outros aspectos da realidade, assim como seria absurdo para o "metalicista" fingir que seu foco exclusivo sobre os objetos que podem ser detectados eletromagneticamente mostra que não há não metais. (Veja A Última Superstição para uma discussão mais detalhada deste tema.)
O que Rosenberg e outros em dívida com o cientificismo fizeram, então, foi simplesmente confundir método com metafísica (um risco ocupacional da ciência pós-galileana e da filosofia pós-cartesiana, como advertiu EA Burtt em seu livro clássico The Metaphysical Foundations of Modern Physical Science) . A confusão falaciosa da epistemologia e da metafísica é, obviamente, também uma característica de muitos argumentos idealistas, razão pela qual Stove pensava que eles mereciam nosso desprezo. Ainda mais apropriadamente, então, podemos rotular o argumento de Rosenberg como uma "Joia".
Cientificismo versus teleologia
Entre as características do mundo que a física ignora deliberadamente para seus propósitos, estão aquelas que envolvem causalidade final. Como Rosenberg escreve:
Desde que a física atingiu seu passo com Newton, ela excluiu propósitos, objetivos, fins ou projetos na natureza. Ele proíbe firmemente todas as explicações que são teleológicas ... (p. 40)
Como as palavras “exclusão” e “proibição” indicam, porém, isso é, mais uma vez, apenas uma estipulação metodológica. Por si só, não nos diz absolutamente nada sobre se a teleologia é real. Novamente, se o projetista de um detector de metal disser "Para fins de detecção de metal, vamos ignorar todas as características dos objetos que buscamos, exceto suas propriedades eletromagnéticas", então ele naturalmente não prestará atenção se este ou aquele objeto é uma moeda, ou uma chave, ou uma tachinha, ou mesmo se ela é feita de ferro em vez de níquel. Mas, obviamente, isso não significa que as únicas propriedades reais dos objetos que o detector de metais encontra são suas propriedades eletromagnéticas, e que devemos ser eliminitivistas sobre moedas, chaves, tachinhas, ferro e níquel. Da mesma forma, uma vez que as características teleológicas não podem ser modeladas matematicamente, os primeiros modernos - pensadores que, seguindo Bacon e Descartes, queriam transformar a ciência em uma direção prática e mundana e, portanto, em um foco na previsão e controle - decidiram ignorá-los. Mas (como não pode ser repetido com muita frequência), isso simplesmente não significa que tais recursos não existam.
Rosenberg, sem dúvida, acha que um apelo à navalha de Ockham justifica tal inferência. Ele escreve:
Desde Newton, há 350 anos, [a física] sempre teve sucesso em fornecer uma teoria não teleológica para lidar com cada um dos novos desafios explicativos e experimentais que enfrentou. Esse histórico é uma evidência tremendamente forte para concluir que seus problemas ainda não resolvidos se submeterão a teorias não teleológicas. (p. 40)
A implicação é que, uma vez que a física nunca precisou postular as causas finais, podemos inferir com confiança que não será necessário fazê-lo no futuro; e se não for necessário, o princípio da parcimônia deve nos levar a concluir que as causas finais não existem.
Mas existem vários problemas com esse argumento. Por um lado, a principal razão de Rosenberg para negar a existência de teleologia, planos, propósitos, designs, intencionalidade e semelhantes no nível biológico e até mesmo no nível da mente humana, é que a física excluiu a teleologia e as noções cognatas de ciência completamente. Mas, nesse caso, um apelo à navalha de Ockham do tipo que acabamos de considerar levaria Rosenberg a uma falácia "No True Scotsman". Ele estará dizendo, com efeito: a física pode explicar tudo o que existe sem apelar para a teleologia. Então, pela navalha de Ockham, a teleologia não deve ser uma característica real do mundo. É claro que as funções biológicas, o pensamento e a ação humana e semelhantes não podem ser entendidos, exceto em termos teleológicos. Mas isso apenas mostra que eles não devem realmente existir, porque a teleologia não existe, porque a física pode explicar tudo o que existe sem ela!
Outro problema é que algo como teleologia é necessário para explicar os fatos que a física descreve, pelo menos se considerarmos qualquer um deles como incorporando relações causais genuínas. Essa é, em qualquer caso, a visão de uma série de filósofos da ciência e metafísicos contemporâneos - George Molnar, CB Martin, John Heil e outros escritores "novos essencialistas" - que não têm machado teológico para moer, mas que consideram as disposições como "direcionado para" suas manifestações e, portanto, exibindo o que Molnar chama de um tipo de "intencionalidade física". Isso é (como o historiador da filosofia Walter Ott observou) essencialmente um retorno a uma compreensão aristotélica-escolástica da causalidade final como uma pré-condição da inteligibilidade da causalidade eficiente. A menos que suponhamos que uma causa eficiente A inerentemente "aponta" além de si mesma para seu efeito típico (ou gama de efeitos) B em direção a um fim ou objetivo, não temos como entender por que A de fato gera de forma confiável B em vez de C, D ou nenhum efeito.
Rosenberg não vê a possibilidade de tal visão porque ele tem apenas a concepção mais crua de teleologia - ele evidentemente pensa que uma explicação teleológica é aquela que simplesmente postula que "Deus a projetou dessa maneira." Ninguém familiarizado com as tradições aristotélicas e escolásticas cometeria tal erro, embora seja provável que alguém que supõe que a teleologia e a teologia natural resistam ou caiam com os “argumentos de design” do estilo Paley o fariam. (Como observei antes, o conhecimento de Rosenberg sobre teologia natural parece derivar principalmente do que quer que estivesse na antologia que seu professor de graduação estava usando.)
Rosenberg também supõe que a segunda lei da termodinâmica é incompatível com a existência da teleologia. Pois “a segunda lei nos diz que o universo está caminhando para a desordem completa” (em particular, morte por calor) e “nenhum propósito ou objetivo pode ser garantido permanentemente sob tais circunstâncias” (p. 41). Mas a existência da teleologia não requer que um fim ou objetivo seja realizado permanentemente. E na medida em que a segunda lei da termodinâmica descreve regularidades causais - e em particular uma tendência para a desordem - ela própria seria uma instância de teleologia, não um contra-exemplo a ela.
(O assunto da teleologia é aquele ao qual dediquei muita atenção em outro lugar, por exemplo, no capítulo 6 de A Última Superstição, capítulo 2 de Tomás de Aquino, e em muitos posts de blog sobre a disputa entre a filosofia aristotélica-tomista e a teoria do “Design Inteligente” . Não vou me repetir aqui - os leitores interessados ​​são direcionados a essas fontes.)
Portanto, Rosenberg não tem bons argumentos para o cientificismo e, portanto, não tem bons argumentos para o ateísmo ou para as outras conclusões mais bizarras que ele deriva do cientificismo. Como veremos nas demais postagens desta série, algumas dessas conclusões são, de qualquer modo, incoerentes e, portanto, constituem um reductio ad absurdum das premissas que levam a elas.
Antes de voltar a essas conclusões, no entanto, valerá a pena examinar a breve tentativa de Rosenberg de se opor aos argumentos do estilo Kalam para Deus como a causa do Big Bang, com algumas especulações cosmológicas alternativas de sua autoria. Faremos isso na próxima postagem desta série.
[Adendo: Um leitor chama a atenção para esta crítica de Rosenberg por Timothy Williamson, que se encaixa com alguns dos pontos apresentados acima. Uma linha chave: "Aqueles que mais confiam em não serem dogmáticos e possuir o espírito científico podem, assim, tornar-se menos capazes de detectar dogmatismo e falhas do espírito científico em si mesmos."
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2020.11.30 15:46 sei_q_to_errado Dependo de conquistas e relações sexuais para me valorizar e me sentir bem, mesmo namorando

Bom dia, espero ser breve e conciso nesse desabafo.
Tenho 23 anos, formei em um curso de engenharia 4,5 anos (aos 20 anos), trabalho na área de indústrias e meio ambiente. Tenho uma carreira impressionante pra minha idade, tanto acadêmica, já no doutorado com uns 7 artigos publicados, quanto profissional (2 empregos na área) e ainda sou sócio-proprietário de uma empresa que está deslanchando em minha região. Minha família é perfeitamente estruturada e eu tenho uma namorada que me ama mais que tudo e ela significa o mundo para mim. Tenho amigos leais e que mantenho contato sempre, carro e um apartamento em beira de praia. Sem querer me gabar, mais de muitas vezes, me disseram que têm inveja de minha vida por eu ser um "overachiever" ou por ser incansável e sempre ter sucesso.
Conto isso para o que vem a seguir.
A questão é, que eu não desejaria minha vida, ou pelo menos minha mente, pra ninguém. Mesmo tendo noção das minhas benções, eu não me sinto realizado, muito menos feliz. Onde eu busco esse bem-estar? Em sexo e conquistas de moças. Eu literalmente sinto prazer na adrenalina durante a todo o processo de conhecer uma pessoa, conquistá-la e transar com ela. Apenas isso me realiza, apesar de tudo que eu tenho. E o pior, é que eu me apego à pessoa.
Eu simplesmente não entendo, tenho objetivos, tenho frutos do meu trabalho, ainda a uma idade jovem, mas eu realmente sou viciado no ciclo de conhecer, "queixar", sair, conquistar e transar, e depois transar, transar... Até enjoar.
Eu amo muito minha namorada e odeio saber que eu faço ela passar por isso, e além disso odeio fazer essas moças passarem por isso, sendo que elas não são aproveitadoras, são meninas lindas e brilhantes, e algumas ainda se apaixonam por mim, e eu dou corda. Sem falar que eu uso muito serviços de acompanhantes quando eu passo por um momento de não encontrar alguém pra eu passar por esse ciclo de conquista-enjoo.
Quero dizer que isso não é algo racional, é quase instintivo da minha parte, e eu não consigo controlar, mesmo trabalhando isso com terapia.
Queria continuar trabalhando, e amar a minha namorada com todas minhas energias. Mas eu não me consigo me conter, e após uma noite com uma moça, eu me sinto muito bem e todo aquele estresse do dia-a-dia, inclusive a vida do meu relacionamento se torna ruído.
Ainda que exista um componente patriarcal/misógino nisso, gostaria de ressaltar que eu nunca conto nada disso pra nenhum amigo ou amiga, não é uma prova social, é uma forma minha de me valorizar, mesmo em frente de tanto que eu tenho.
Não sei mais o que fazer. Gostaria de saber da visão de vocês sobre isso, isso tem me feito muito mal.
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2020.11.30 02:16 metalbrazilianhead Desabafo de um virgem aos 24 anos

É só um desabafo mesmo de alguém que não se sente a vontade pra desabafar com pessoas ao redor.
Negócio é o seguinte, sou bv e virgem, com 24 anos, sou extremamente tímido, nunca consegui flertar com uma mulher na minha vida (apesar de que não foram tantas garotas assim que eu desejei realmente ter paquerado). Não me considero feio, nem nada, porém sou muito desengonçado, muito alto e magro. Mas o fato de que nunca nenhuma garota demonstrou interesse em mim durante todo esse tempo, me faz pensar que eu realmente não seja atraente.
Tenho alguns hobbies e tal, sou uma pessoa que lê muito (e não são esses best sellers aí de auto-ajuda), literatura, política, enfim, gosto de ter um papo cabeça. E eu acho que o problema é justamente esse, eu não sei conversar sobre banalidades, besteiras, essas perguntas que todo mundo faz, isso me aborrece. Eu quase sempre só consigo engatar numa conversa quando é um assunto mais "cult", por assim dizer. Também gosto muito de falar sobre música em geral (principalmente rock, mas sou aberto a outros estilos tbm) e também toco guitarra e violão no tempo livre pra me distrair.
Já terminei a faculdade com notas muito boas, e vou ingressar no mestrado numa ótima universidade. Só que a idade vai passando e eu nunca fiquei com ninguém, aí fica aquele papo furado das tias querendo saber das namoradinha, os tios querendo saber quantas eu já peguei e tal, e isso me deixa muito p*** da vida. Sem contar as pessoas que nunca te viram na vida e me julgam logo de cara pq eu nunca fiquei com ninguém.
Pra além disso, eu realmente queria uma companhia sabe, alguém com quem compartilhar bons momentos, conversar, enfim, fazer coisas que um casal de namorados geralmente faz, inclusive sexo. Tive atração por algumas mulheres que conheci (nenhuma delas tipo modelo ou muito bonita), mas nunca tive coragem de conversar mais aprofundadamente com nenhuma delas. Tenho meus amigos e tal, mas as vezes eu me sinto meio sozinho, até pq quase todos os meus amigos tem namoradas. E de fato eles são amigos, pq eles continuam falando comigo normalmente e nem zoam comigo pq sou virgem e não pego ninguém. Mas o fato é que eu sinto uma inveja deles sabe, não vou omitir isso também. Um desses meus amigos, o mais chegado, encontrou a atual namorada dele no tinder, e já tá a quase 3 anos com ela. Ela me recomenda ir pro tinder, mas eu confesso que tenho muita desconfiança desses apps, acho que tem muita sacanagem e gente falsa. Acho que o caso dele foi pura sorte.
Sou o tipo de cara que não gosta de sair pra balada, festa essas coisas. Meus amigos não curtem isso e eu menos ainda, e não penso em forçar a barra e fazer isso só pra pegar mulher. Tbm não sou religioso, não frequento igrejas ou comunidades religiosas, e isso não me passa pela cabeça somente para ser um ambiente de socialização.
Enfim, meus planos eram de que esse ano eu iria conseguir ter coragem pra falar com as mulheres por quem eu me interesso, mas aí veio pandemia e isolamento e eu tô bem pra baixo ultimamente por causa disso.
Qualquer ajuda ou conselho, agradeço.
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2020.11.30 01:12 maisumcaraperdido Não publiquei nenhum livro, mas...

Olá pessoal, primeiramente parabéns para quem publicou livro e também para quem fez outras coisas. Queria compartilhar com vocês uma história recente minha, que com certeza daria um livro mas que, com mais certeza ainda, não serei eu a escrevê-lo. Se não tiver muita paciência pra textão pode rolar para a próxima. Vamos lá: há cerca de dois anos atrás eu viajei a trabalho para Brasília e encontrei o que eu achei que seria o amor da minha vida. Sou bastante jovem, bissexual, já tinha sido casado com mulher por dois anos e estava afim de curtir a vida apenas. Quando ele chegou na minha vida eu logo quis algo mais sério, embora eu ainda tivesse alguma resistência, pois tinha terminado meu relacionamento há menos de um ano. Papo vai papo vem, nos demos muito bem, ficamos sabendo que morávamos no mesmo estado a cerca de três horas de viagem um do outro, acabei voltando para casa com o contato dele anotado no celular e com a imagem dele martelando na cabeça. Ele foi me visitar uma vez (eu morava na praia e não tenho carro), depois outra, e outra, e outra... Começamos a namorar. Nos víamos nos finais de semana, passeávamos, namorávamos, conversávamos e nos dávamos super bem. Foi quando a pandemia chegou e eu iniciei um período de trabalho remoto. Nós dois estávamos desesperados com a situação toda, achávamos que iríamos morrer, etc. Fui morar com ele, pois de lá teríamos melhores condições para socorrer nossas famílias caso o pior acontecesse. A boa notícia é que nada de ruim aconteceu com nossos familiares, mas aquela escolha de morarmos juntos foi a sentença de morte para nosso relacionamento. Há duas semanas atrás, aconteceu algo que eu nunca imaginei que me aconteceria: fui expulso de casa. Tivemos uma briga feia e ele me mandou embora. Eu tive que sair naquela hora, tive que organizar as minhas coisas o mais rápido possível e deixar o lugar que eu chamei de lar por quase um ano. Saí com uma mala de viagem pequena com as minhas roupas e uma mochila. Deixei para trás meus livros, parte das minhas roupas, meus objetos pessoais, as coisinhas que comprei com tanto amor para a nossa casa e o principal: a pessoa que eu mais amo (ava?). De uma hora para a outra tive que repensar totalmente a minha vida, modificar planos, traçar outros objetivos, arrumar outro trabalho para me sustentar, etc, tudo isso enquanto tentava superar a perda daquele que eu pensava ser o amor da minha vida. Como eu sou bem mais jovem e pobre do que ele, ele se sentiu bastante confortável em me expulsar da sua vida. Eu tenho os pés no chão, sempre soube que essa era uma possibilidade, mas nunca pensei que ele poderia fazer isso comigo. Nos dávamos muito bem em tudo e a nossa briga final foi por motivos bestas, fúteis. Nessas últimas semanas tenho me apegado ao trabalho, aos amigos e à minha família. Passei dias sem fome, sem sono, com uma dor parecida com a do luto. Agora, os sentimentos que tenho dele variam da saudade ao ódio intenso, passando pela pena. É muito cedo ainda para dizer os impactos disso tudo na minha vida, se vou conseguir confiar em alguém de novo, etc. Porém, posso dizer que estou esperançoso com o futuro, pois tenho descobrido habilidades em mim que eu nunca imaginei que tinha, além de ter ao meu lado pessoas que realmente se importam comigo. O medo de ser jogado fora novamente persiste como uma sombra na minha alma, mas saber que eu posso superar a coisa toda um dia após o outro é um alívio para a alma. Sinto muita falta dele, e tenho muita vontade de ligar e conversar, porém penso que quem fez o pior mal é quem deve pedir desculpas primeiro, não acham? No mais, não me vejo voltando com ele em circunstância nenhuma, uma vez que a nossa relação de confiança já está em cacos ao chão. Para quem teve fôlego para chegar até aqui: vocês já passaram por algo parecido? O que acharam da minha história? Abraços a todos vocês, uma excelente semana!
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2020.11.29 21:59 Raven_claw_04 Eu só estou cansando!

E aí pessoal, como vocês estão? Eu estou bem mal, mas sempre me apresento para meus círculos sociais(trabalho, amigos, colegas e família) sendo uma pessoa boa e normal sem problemas de ansiedade e depressão. Mas quando estou sozinho me forço a acreditar que estou bem mas estou completamente morto. Motivo? Para dizer a verdade eu não sei, eu sou um ser humano completamente comum para a realidade do Brasil, filho de mãe solteira, nascido em cidade pequena, e que me as coisas depende somente de mim mesmo. Mas sou uma pessoa muito boa em fazer más escolhas(dependo do ponto de vista) podia ter sido traficante dependendo de onde nasci e fui criado, mas por ser filho único me coloquei na posição de ser o orgulho de minha mãe. Isso pesa muito. Ser filho único. Nem me matar posso. Pois sou o único filho de minha mãe. Tenho para mim que tenho que dá certo em algo para não ser um arrependimento dela, eu sei que posso está meio vivendo para ela, mas tenhobsim meu sonhos e minhas ambições. Mas são tão distantes da minha realidade (ser pobre e não ter contatos, trabalahr desde cedo e a única alternativa estudar para " ser alguém "). Isso me mata tanto, u tenho um trabalho de merda, um sonho impossível, e um esperança meio quebravel, sou uma pessoa totalmente frustrante que nem posso me matar pois não quero dececionar minha mãe e família.
Ps: já tenho meus 20 anos...
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2020.11.29 19:20 AntonioMachado "Mas o capitalista, o empresário, corre riscos", dizem eles, "enquanto o trabalhador não arrisca nada!"

Isso não é verdade, porque [...] todas as desvantagens estão do lado do trabalhador.
O proprietário da empresa pode efectivamente conduzir mal seus negócios, pode ser eliminado fruto de um mau negócio, ou até mesmo ser vítima de uma crise comercial ou de uma catástrofe imprevista; numa palavra, pode arruinar-se. Isso é verdade. Mas ruína significa porventura, do ponto de vista burguês, ser reduzido ao mesmo nível de miséria daqueles que morrem de fome, ou que são forçados a entrar nas fileiras dos comuns trabalhadores? Isso acontece tão raramente, que podemos dizer que nunca acontece. É raro que o capitalista não retenha alguma riqueza apesar da aparência de ruína. Na verdade, hoje em dia todas as falências são mais ou menos fraudulentas. Mas, mesmo que nada fosse salvo pelo capitalista, tem sempre laços de família e relações sociais, que, com a ajuda das competências empresariais que aprendeu e passa aos filhos, permite que obtenha posições nas categorias mais altas de trabalho e gestão; ser funcionário público, ser executivo numa empresa comercial ou industrial, e acabar, embora dependente, com um rendimento mesmo assim superior ao que pagava aos seus ex-trabalhadores. Os riscos do trabalhador são infinitamente maiores. Afinal, se o estabelecimento em que ele trabalha for à falência, fica vários dias e às vezes várias semanas sem trabalhar... e para ele isso é mais do que ruína, é morte; porque come todos os dias o que ganha. A poupança dos trabalhadores são contos de fadas inventados por economistas burgueses [...] Este ridículo e odioso mito nunca acalmará a angústia do trabalhador. Ele conhece o custo de satisfazer dia a dia necessidades de sua grande família. Se ele tivesse poupanças, não mandaria seus pobres filhos, desde a idade de seis, para murcharem, enfraquecerem, e serem assassinados física e moralmente nas fábricas, onde são obrigados a trabalhar noite e dia numa jornada de trabalho de doze e quatorze horas. * Mesmo que o trabalhador eventualmente consiga fazer uma pequena economia, ela é rapidamente consumida pelos períodos inevitáveis do desemprego que muitas vezes interrompem cruelmente o seu trabalho, bem como pelos acidentes imprevistos e doenças que atingem sua família. Os acidentes e doenças que podem atingi-lo constituem um risco que torna todos os riscos do empregador nada em comparação: porque para o trabalhador doenças debilitantes podem destruir sua capacidade produtiva, sua força de trabalho. Acima de tudo, doença prolongada é a falência mais terrível, uma falência que significa para ele e seus filhos, fome e morte. [...] Então, a liberdade do trabalhador, tão exaltada pelos economistas, juristas e republicanos burgueses, é apenas uma liberdade teórica, carente de meios para a sua possível realização e, consequentemente, apenas uma liberdade fictícia, uma falsidade absoluta.
A verdade é que toda a vida do trabalhador é simplesmente uma sucessão contínua e desalentadora de períodos de servidão - voluntária do ponto de vista jurídico de vista, mas obrigatória no sentido económico - dividida por breves interlúdios momentâneos de liberdade acompanhada de fome; em outras palavras, é uma verdadeira escravidão.
Mikhail Bakunin em O Sistema Capitalista
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\* Não esquecer que o liberalismo conviveu perfeitamente bem, durante demasiado tempo, com o trabalho infantil e/ou com a jornada de trabalho de 12 ou mais horas, já para não falar com o colonialismo e escravatura, e que, se houve realmente algum progresso nestas questões foi sempre graças à mobilização das classes dominadas e às lutas da esquerda contra os interesses das classes dominantes e do liberalismo, frequentemente defendidos com violência. Assim, apesar dos riscos dos trabalhadores terem felizmente sido minorados desde que foi escrito, a essência do excerto mantém-se atual: o máximo que pode acontecer ao capitalista que se arruína fruto da competição... é regressar às fileiras dos trabalhadores e desempregados. Isto mostra claramente que o verdadeiro risco continua, e continuará sempre, do lado dos trabalhadores, por não deterem propriedade privada: para nós, ruína facilmente significa vida ou morte... por exemplo, ter de "escolher" entre pagar os medicamentos ou a renda da casa. Para o capitalista significa, na pior das hipóteses, ser 'reduzido' a trabalhador e ficar como nós!
De resto, o grande Rick Roderick propõe uma experiência poderosa se quisermos saber quem realmente arrisca mais, trabalhadores ou capitalistas, «uma forma simples de cortar muita da porcaria que geralmente ouvimos sobre análise de classe, ou de que “não há classes na América”»:
Eis um pequeno teste empírico para o público experimentar: Não trabalhes por oito anos.
Pára de trabalhar. E se coisas realmente más acontecerem à tua vida, então pertences à classe trabalhadora. Mas, se no final dos oito anos tudo estiver bem e elegante, se ainda tiveres uma casa e um carro e um bom lugar para morar e muitos amigos porreiros, então [és capitalista]. Caso contrário, pertences à classe trabalhadora. Se parares de trabalhar por tanto tempo e te deparares com sérios problemas na tua vida, então eras um trabalhador ... e pelos vistos não sabias disso. Este é um bom teste empírico, e eu desafio qualquer um a experimentá-lo.
Alguém que negue que existem duas classes fundamentais pode sempre fazer este teste, é uma maneira de descobrir se há classes ou não ... de realmente descobrir.
Rick Roderick em Hegel and Modern Life
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2020.11.29 03:36 oquintoanomimo Crise de 18 anos, e a verdade que não me contaram.

História longa, conto as coisas desde que sou criança então se for ler mesmo obrigado pois nunca comentei tudo isso de verdade com ninguém, parece que ninguém me escuta de verdade quando falo algumas coisas e nem mesmo minha família me ajudou muito com isso, sou taxado como adolescente frustrado, mas é da minha vida e do meu futuro que estou falando será que aqui vou ser tratado com mais atenção do que as pessoas que convivem comigo?

Eu fiz 18 anos faz 5 meses, e passei a minha vida ouvindo histórias de que tudo é incrível na vida, a gente faz uma faculdade ganha um dinheiro e esta suave, a real é que as coisas não são assim, a vida é muito diferente dessas histórias de filme ou de propaganda de cursinho pré-vestibular ou de faculdade (de verdade, vendem curso de faculdade como se fosse fórmula para ser feliz na vida), existem diversos fatores que pesam demais na balança dos caminhos para seguir na vida, desde questões financeiras, pessoais e acredito que principalmente familiares, o ambiente que crescemos nos define muito.
Eu sou uma daquelas pessoas que presenciou o divórcio dos pais ainda na infância com 10 anos, na verdade demorou 10 anos para minha mãe realmente divorciar do meu pai para valer, pois nesse tempo de 10 anos eles se separavam e voltavam o tempo todo diversas vezes e eu ficava vendo isso sem entender nada, meu pai é um cusão daqueles que ia trabalhar e ficava com outras mulheres enquanto a esposa cuidava dos filhos, chegava em casa puto e quebrava as coisas e descia a pressão na família e batia nos filhos e na esposa, minha mãe criada por pais de roça humildes, educação religiosa rígida, casou cedo com 20 anos e teve filhos cedo, então da para perceber o quão foda isso foi para mim e fui perceber que tenho problemas de ansiedade e insegurança e acredito que seja por esses motivos na infância pois desde pequeno tenho medo de enfrentar situações de grandes emoções e escuto das professoras e da minha família que sou muito ansioso, além que tive que frequentar psicólogos e fonos quando era muito criança ainda.
Então como eu era criança e sou o caçula, fui morar com minha mãe divorciada e com meus irmãos mais velhos, eu fiquei preso numa bolha de verdade minha mãe e meus irmãos mais velhos tentam a todo custo me proteger até mesmo com 18 anos, tem medo absurdo de mim acabar usando droga ou engravidar alguma garota, então ficava protegido dentro de casa e era muito difícil sair para algum role, a maioria dos meus amigos todos já foram para diversas festas e eu ficava em casa jogando videogame ou vendo merda na internet porque era meu entretenimento ou por falta de dinheiro também para sair, sou daqueles que sempre teve que usar coisa de segunda mão e dividir com todos, e isso me incomoda pois parece que não tenho privacidade. Minha mãe sempre foi meio foda-se comigo no sentido do meu futuro, contanto que eu ficasse em casa e não enchesse o saco dela estava suficiente, então sempre fiquei meio largado pela minha família enquanto minhas irmãs mais velhas ou estavam indo para festas, baladas, ou faculdade e tinham muita liberdade para fazer muita coisa (eu não entendo até hoje como minhas irmãs sempre tiveram mais liberdade que eu, parece que o machismo inverteu dentro da minha casa e eu não estou mentindo) Então só beijei de verdade mesmo 2 garotas na vida, sendo que uma eu transei várias vezes com 16 anos, na realidade não beijei só 2 vezes por falta de opção porque já tive muitas oportunidades de ficar com garotas e até mesmo transar, essas chances sempre estão surgindo, mas eu travo na hora, eu travo muito e ficava sem o que dizer ou agir, minha mente fica fechada parece que todos os pensamentos paravam de funcionar e a garota sempre tomava a iniciativa e eu só correspondia, e eu não sei porque eu tenho essa atitude não é algo forçado é quase que interno saca?
Então tudo que eu tinha era estudar, com 13 anos tive o sonho de entrar no ITA pois era "difícil" e todo mundo que entrava era considerado pika e foda, e alimentei esse sonho por 5 anos pois todo professor ficava me incentivando a tentar isso, acabei estudando bastante e entrei num IFSP que é uma escola federal técnica, no qual estou terminando o ensino médio na mesma, mas em relação ao ITA fui perceber aos 18 anos que não era realmente o que eu queria, na verdade eu nem sei o que eu quero nessa poha de vida, eu sou meio inclinado para exatas pois gosto de matemática mas também sou muito bom com humanas, então a única coisa em mente que tenho é engenharia porque todo mundo que é bom com matemática faz isso, talvez engenharia da computação ou engenharia elétrica pois esta de acordo com o meu técnico e gostei do mesmo, mas com 18 anos ainda mais na pandemia a sensação que eu tenho é que entrar numa faculdade de cabeça no foda-se sem ter 100% certeza é um tiro no meu pé que vou me arrepender.
Então ainda mais com a pandemia, acabei ficando meio pesado por dentro, não estou dando tanta atenção para escola como deveria e me entedio facilmente com muitas coisas, tudo que eu penso é no meu futuro e o que eu vou escolher.
Na verdade eu tenho vontade de resolver esses problemas que tenho de ansiedade e autoconhecimento parece que roubaram de mim minhas oportunidades, me sinto travado socialmente, parece que algo dentro de mim me repreende e me prende automaticamente, também que percebe que surgiu entradas no meu cabelo e tenho quase certeza que foi pelas crises de ansiedade que sofre, ter a sensação que estou ficando careca fode tudo ao dobro mas essas questões nunca foram levadas a sério pela minha família então eu meio que caguei para isso, mas não da para fingir para si mesmo por muito tempo, além disso tem a pressão dos 18 anos de fazer faculdade ou de arrumar um trampo e decidir sua vida inteira em 12 meses, quero me conhecer mais e aprender mais comigo mesmo, na real se nada importasse eu queria juntar um dinheiro e tentar viajar para algum país fazer um intercambio, aprender inglês e ganhar experiência de vida, mas tenho medo de não fazer faculdade e perder a chance de conseguir um bom emprego mas eu nem sei que curso quero fazer, ou que caminho quero seguir na vida, e essas questões pessoais principalmente envolvendo minha ansiedade pesam muito na minha escolha, eu me sinto com correntes na cabeça presas as minhas mãos, tudo que faço fica acorrentado, mas sinto que isso não foi algo que eu fiz então porque não consigo resolver?
Se você leu até aqui eu agradeço muito de verdade, pois penso nisso há muito tempo e não consigo visualizar o que estou precisando resolver, se realmente tem algo para eu resolver ou se só estou criando problemas...
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2020.11.28 02:28 daily_changing Pensamentos interpolados...

Olá a todos, primeiramente quero dizer que eu sou uma pessoa fraca no que toca à expressão própria, e no que toca a "desabafos", por isso o que eu escrever pode ser confuso ou até incongruente por vezes e por isso peço já desculpa.
Isto irá ser sobre indecisões, questões sobre o futuro e a capacidade de mudar, ou não mudar.

Quero começar por dizer que estou num momento dificil da minha vida, não me sinto exatamente bem, nem comfortável, e isso afeta demasiado o meu dia-a-dia. Eu sempre achei que se soubesse o "porquê" de estar assim, que iria achar a "solução", infelizmente não é bem assim, e acho que nunca foi, no passado eu tratava o ato de achar o "porquê" como a "solução" em si, ou seja, se soubesse o problema então agora já estava bem, não fazia nada para mudar a situação, nem para a melhorar, ora então, o problema continuava, e começava a ficar maior e maior, até chegar a um momento onde eu já não o conseguia mais ignorar. E é isso que se passa, eu ignorei problemas, bastantes, esperando que eventualmente as coisas iriam ficar melhores, e ora bem, não ficaram, lógicamente. Eu estou bastante consciente onde a minha vida se encontra neste momento, e sendo "rude", está na merda. Está má. Está continuamente a descer e eu não a consigo parar. Eu gosto de usar esta frase :" Sinto-me num buraco, escuro e frio, com uma escada, e quanto mais eu a escalo, mais o buraco se escava a si próprio." Para mim isto quer dizer que apesar de a pessoa estar a subir a escada, não produz efeito, porque o buraco fica cada vez maior e maior.. o "normal" da minha vida está no topo do buraco, mas eu não consigo lá chegar.
Eu sempre me perguntei, há 3/4 anos, o que é que o futuro me reserva, o que é que está lá à minha espera, e tenho de dizer que nunca imaginei que fosse isto. Olhando para trás, para 3/4 anos atrás, eu "acho" que era feliz, tinha pessoas que gostava, gostava da escola, sentia-me optimista, motivado..e isso tudo mudou em principios de 2019 por uma razão que muitos podem chamar de "estúpida", "pequena", "inofensiva", mas para mim não foi nada disso. A pessoa com quem eu estava a namorar, deixou-me, e ok, normal, acontece várias vezes no mundo, as relações acabam. Correto, mas a mim afetou-me bastante, ao ponto de eu deixar a universidade, ao ponto de perder várias amizades. Eu não estava pronto, era demasiado imaturo, tomova por certa a relação e não a tentei melhorar, levando ao que aconteceu. Não me culpo inteiramente a mim, tal como no inicio fazia, mas culpo as falhas de comunicação, de motivação, dos dois na relação. O que eu culpo inteiramente em mim foi a minha eu ter sido tão fraco, tão imaturo, que mesmo após um ano ainda me afetava o fim da relação. Eu penso que isso foi um dos momentos que levou ao que se passa agora. Era o começo da universidade, tinha amigos, estava num curso interessante, e foi tudo por água abaixo porque fiquei deprimido, não saia de casa, não falava com ninguém. Custou-me bastante dizer aos meus pais que iria sair do curso porque não queria lá estar, eu sei que eles querem o meu bem, e que lhes custa pagar tudo, por isso fiquei muito magoado, a chegar ao ponto de me ressentir bastante.
Eu acho que todos temos algo neste mundo, um "propósito". Não digo um propósito mistico, de Deus, porque eu próprio não acredito, mas um propósito de vivermos a vida, gostarmos de viver, deixarmos a nossa marca. E todos deixamos a nossa marca, não importa se és um Einstein, um Marx, um Pitágoras, um Tesla..etc, todos iremos deixar algo, todos temos pessoas que querem saber de nós, se não agora, no futuro ou no passado, e nós de alguma forma tocámos essas pessoas, de uma forma ou outra, fazendo-as felizes, ou tristes, zangadas, com saudade... Todos nós merecemos viver, felizes, comfortáveis, e o nosso maior inimigo, por vezes, somos nós. Nós próprios cancelamos a nossa felicidade. Mas atenção, que eu não acho que querer ser feliz sempre, todos os momentos seja algo bom, ou realista também, por exemplo a tristeza, é algo essencial na vida, temos de ter o branco com o preto para realmente apreciarmos a vida, isto na minha opinião. Sentir-me triste não é algo exclusivamente mau.
O que eu quero dizer, sem deviar do assunto em si, é falar sobre : Será o peso da culpa e da ansiedade de uma mentira uma razão para evitar contar a mentira? - Eu minto, tal como todos as pessoas o fazem, mas a mentira que eu digo, leva-me para momentos maus. Eu sai do primeiro curso que frequentei, e entrei noutro, inicialmente feliz, inicialmente a pensar que algo iria ser diferente, e foi, no inicio mas após esta pandemia, e as aulas online começarem, eu parei de assistir às aulas, parei de fazer os trabalhos, e chumbei a bastantes cadeiras. Mesmo agora, minto e digo que estou no curso enquanto não vou a aula alguma. Porque é que eu faço isso? Porque eu verdadeiramente não gosto do curso, eu não quero estudar isto, mas não tenho a coragem de chegar aos meus pais e dizer isto, porque sinto medo, medo de me olharem com um olhar desapontado, triste, zangado. Eu sei que é dificil para eles pagarem a universidade, e eu dizer que não quero lá estar...seria mau. Seria melhor eu contar, sair do curso, tentar achar trabalho e ajudar e depois entrar em algo que gosto? Seria, claro. Mas falta-me a coragem, e não sei até onde consigo levar esta mentira. Algo que podem perguntar também, é o porque de eu ter ido para o curso no primeiro lugar. E bem, um pouco por "desespero" de entrar em algum, mas também porque a minha familia não possui o dinheiro para mudar de cidade, e eu entrar numa universidade dessa cidade, por isso estou um pouco restringido a uma só cidade. E claro, porque nao trabalhar um ano e tentar ir fazendo um "part-time" na cidade para onde for, e isso lembra-me de algo que a minha mãe me disse que foi "Não sabes fazer nada, vais trabalhar onde", quando lhe falei sobre trabalhar. E não estou zangado com ela, porque, de certa forma é verdade, o que é que eu realmente sei fazer? Claro que existem trabalhos fáceis iniciantes para começar, mas naquele tempo, levei a peito o que me foi dito, e fiquei quieto em casa. Eu queria estar a estudar outra coisa, mas penso que agora é "tarde demais" para realizar isso. Ainda vou a tempo? Claro, tenho 20 anos. Mas as mentiras, e os problemas estão a criar uma bola de neve demasiado grande que penso não conseguir parar, e quando ela explodir...
Se alguém leu até aqui, eu entendo que seja dificil de entender e ver o que eu quero passar, e explicar, e se houver interesse em "debater" ou esclarecer algo, os "pm's" estão abertos, mas ai está, para mim o que eu escrevo e digo na minha cabeça faz completo sentido, mas isso é porque eu sei todo o significado das minhas palavras, e tenho as memórias que se ligam a estas frases, e completam o sentido delas, o que vocês não possuem. Por isso que é sempre dificil eu falar e me explicar, porque irá sempre ser algo pessoal e intrapessoal, e trazer esses pensamentos para fora é dificil. Não sei se irei escrever algo mais no futuro, porque, apesar de aqui ter falado bastante, está muito espalhado o que quero dizer, apesar de não parecer, houve coisas que me doeram a escrever, porque me lembro do que passei no momento, e em letras, e frases, essa "melancolia" não é implicita.
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2020.11.28 00:00 altovaliriano O Stark em Winterfell - Bran e o Rei Pescador

Texto original: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/125401-the-winged-wolf-a-bran-stark-re-read-project-part-ii-asos-adwd/page/3/&tab=comments#comment-6823505
Autor: SacredOrderOfGreenMen / float-freely-forever
O texto abaixo é uma tradução.
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ASOIAF tem sido chamada de "uma carta de amor à democracia" pela forma como critica impiedosamente o feudalismo e a monarquia e por (aparentemente) não dar a nenhum rei um POV (apenas a duas rainhas), ao mesmo tempo em que apresenta todos os homens que são capazes de sentar no trono ou usar uma coroa como sendo, em última análise, indignos. Há Robert Baratheon, o Rei Devasso; seu sucessor, o rei Joffrey, cuja reivindicação foi baseada em uma mentira e mostrou-se ineficaz e inadequado ao papel de todas as formas possíveis; Viserys, o Rei Pedinte, seu pai Aerys, o Rei Louco e muitos outros. Renly, Stannis, Balon, Euron. Todos ficam aquém ou falham.
O feudalismo é exibido como uma ordem social inerentemente violenta, supérflua e repugnante em quase todos os aspectos. Todos os aspectos, exceto um: os Starks, e em particular a narrativa da realeza mágica que existe em torno de Bran.
"O Stark em Winterfell" é a encarnação do Rei Pescador em ASOIAF, uma figura lendária da mitologia inglesa e galesa que está espiritual e fisicamente conectado à terra, e cujas fortunas, boas e ruins, são espelhadas no reino. É uma história que, ao contar como o rei é mutilado e depois curado pelo poder divino, valida essa monarquia. O papel de "O Stark em Winterfell" é feito para ser o que seu criador, Brandon o Construtor, foi: uma fusão de opostos aparentes – homem e deus, rei e vidente verde, e o monólito que é seu assento é tanto castelo quanto árvore, uma "monstruosa árvore de pedra" (AGOT, Bran II).

"Era diferente quando havia um Stark em Winterfell"

Um ditado que existe na família é invocado por Ned e Catelyn em AGOT quando da viagem para o Sul: "Tem de haver um Stark em Winterfell sempre".
Por que? Quando falada, a frase é entoada, quase como um leigo medieval da Igreja Católica a repetir uma oração em latim, não entendendo completamente o que as palavras significam, mas sabendo que elas são importantes de alguma forma.
Outras Grandes Casas não vivem com essa restrição: Jon Arryn esteve ausente do Vale por grande parte de 14 anos, sem uma data clara para voltar [...]. Nestor Royce era seu regente. Um primo distante de Tywin Lannister, Damion, é deixado para governar, e ninguém parece particularmente preocupado que nenhum Lannister do ramo principal vivesse lá. Doran Martell prefere governar a partir dos Jardins de Água.
É o Liddle que Bran encontra nas montanhas do Norte que nos dá a razão mais clara e explícita do porquê sempre deve haver um Stark em Winterfell:
Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. (ASOS, Bran II)
Até certo ponto, Bran também já havia articulado isto:
Já tinha idade suficiente para saber que não era realmente por ele que gritavam… Era a colheita que festejavam, Robb e suas vitórias, o senhor seu pai e o avô e todos os Stark desde há oito mil anos que aclamavam. Mas, mesmo assim, aquilo fez com que inchasse de orgulho. (ACOK, Bran III)
Quando há um Stark em Winterfell, a terra é pacífica e o povo não morre de fome. Ter um Stark em Winterfell é, por definição, ter uma boa senhoria. O fato de que os nortenhos dependem dos Starks para sua própria sobrevivência está implícito para muitos de seus vassalos, e muitas vezes são as Casas que traçam sua própria existência a eles que são os mais fanáticos em sua lealdade.
Lyanna Mormont, cuja Casa recebeu terras de Rodrik Stark raivosamente rejeita as exigências de Stannis por lealdade, escrevendo: "A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei que não o Rei do Norte, cujo nome é STARK."
Outra jovem senhora do Norte, Wylla Manderly vocifera contra as mentiras de Freys sobre Robb e do desagravo (fingido) de seu pai: "os lobos nos acolheram, nos alimentaram e nos protegeram contra nossos inimigos. [...]. Em troca, juramos que seríamos sempre homens deles. Homens dos Stark!“ (ADWD, Davos III)
Bran nos diz em AGOT que, nos Clãs das Montanhas (entre outros), "quando a neve caísse e os ventos gelados uivassem do norte, [...] os agricultores deixariam seus campos congelados e fortificações distantes, carregariam suas carroça" e se refugiaram na vila de inverno de Winterfell. Quando os homens dos clãs dizem a Asha que eles preferem que seus "homens morram lutando pela garotinha de Ned do que sozinhos e famintos na neve, chorando lágrimas que vão congelar em suas bochechas" também é provável que estejam fazendo uma tentativa desesperada de recuperar seu refúgio.
Por conta da vila de inverno, ser o Stark em Winterfell é um cargo imensamente importante que não tem equivalente em nenhum outro lugar. Significa ser um governante prático que conhece seus súditos intimamente e que cuida deles quando o inverno chega – algo que eles recordam constantemente. Ned pratica isso em seu próprio governo em Winterfell:
O pai costumava dizer que um senhor devia comer com seus homens se esperava conservá-los. Arya um dia o ouviu dizer a Robb: “Conheça os homens que o seguem e deixe que eles o conheçam. Não peça aos seus homens para morrer por um estranho”. Em Winterfell, havia sempre um lugar extra à sua mesa, e todos os dias um homem diferente era convidado a juntar-se a eles. (ACOK, Arya II)
Na mitologia da Europa Ocidental, (tendo em conta que a Europa Ocidental é a principal inspiração de GRRM para Westeros), há um conjunto de lendas sobre o chamado Rei Pescador. O Rei Pescador, também conhecido como o Rei Mutilado ou Rei Ferido, contém dentro de sua linhagem o rei bretão Arthur e o rei galês Bran, o Abençoado.
Para os ingleses, o Rei Pescador é um dos guardiões do Santo Graal. Ele foi ferido ou mutilado e, como resultado, é infértil, e é sustentado apenas pelo poder do Graal. Por sua vez, sua terra se torna infértil e estéril também, e o único alimento possível ali é peixe, daí vem seu nome. Em algumas versões, o pai é o Rei Ferido e seu filho é o Pescador. O usuário do Tumblr theelliedoll analisa essa conexão, escrevendo em seu metatexto:
O sentido do Rei Pescador como um personagem mítico não é tanto as particularidades de seu caráter ou mesmo de sua lesão, mas o simples fato de que sua aflição (sexual) é transferida para suas terras. O mito pressupõe assim uma conexão mística, inextricável e empática entre rei e reino que exige do rei uma virilidade potente e generativa, e assim o mito funciona como a narrativa simbólica que articula uma ideologia dominante no poder [da Europa Medieval, a inspiração de Westeros para GRRM]. Essa ideologia de poder é a ideia da divindade do rei, que é em si inseparável das noções de herança e primogenitura.
O mito do Rei Pescador funciona então simplesmente como uma estratégia de legitimação da autoridade real e, consequentemente, de uma monarquia cada vez mais absolutista, percebida (e culturalmente representada) como a única forma imaginável de governo.
O Stark em Winterfell é o equivalente de ASOIAF ao Rei Pescador, cujas infortúnios pessoais são espelhadas na própria terra. Há pelo menos dois casos na história em que o Rei do Inverno é referido como "O Stark em Winterfell" [no Brasil, traduzidos como “Stark de Winterfell”]:
"O Stark de Winterfell queria a cabeça de Bael" (ACOK, Jon VI)
"O Stark de Winterfell teve de dar uma mão [para parar a rebelião na Patrulha da Noite]” – (ASOS, Jon VII)

"Ele é o jovem Rei Arthur" - GRRM, sobre Bran

Há um personagem, na narrativa, que é chamado por outros e chama-se Stark em Winterfell: Bran, filho de Lorde Eddard e Lady Catelyn:
Sou o príncipe. Sou o Stark em Winterfell.
É o Stark em Winterfell, e o herdeiro de Robb. Tem de parecer principesco – juntos, vestiram-no de forma condizente com um senhor.
Era um Stark em Winterfell, filho do seu pai e herdeiro do irmão e quase um homem-feito.
-(ACOK)
E que também detém os intimamente associados títulos de príncipe e herdeiro de Winterfell:
Ele era o Príncipe de Winterfell, filho de Eddard Stark, quase um homem-feito e, além disso, um warg
"também é o nosso príncipe, o filho de nosso senhor e o verdadeiro herdeiro de nosso rei" (Meera para Bran)
Jojen fitou-o comseus olhos verde-escuros. – Não há nada aqui que nos faça mal, Vossa Graça.
Ele é o nosso príncipe. -(Meera para Samwell Tarly)
De noite, todos os mantos são negros, Vossa Graça. -(Jojen para Bran)
A história de Bran também é muito semelhante à encarnação galesa do Rei Pescador: Bran, o Abençoado, que lutou contra um exército de guerreiros mortos-vivos (wights) que foram continuamente revividos por um caldeirão mágico (O Coração do Inverno). Seu meio-irmão, (Jon Snow) se esconde entre os mortos após uma batalha a fim de ser jogado no caldeirão (Jon, veja bem, poderia muito bem estar dentro de Fantasma, cujo nome foi a última palavra que ele falou, e a Patrulha da Noite poderia muito bem ter entrado em colapso agora, sem falar na própria Muralha) e ser capaz de destruí-lo , mas morre no processo. Ele tem um nome muito semelhante a um dos outros títulos do Rei Pescador: o Rei Ferido. A história o chama, e ele chama a si mesmo, repetidamente, de "quebrado".
apenas quebrado. Como eu, pensou.
Bran – ele falou, sem vontade. Bran, o Quebrado. – Brandon Stark. – O menino aleijado.
mas quem se casaria com um garoto quebrado como ele?
Através das brumas dos séculos, o garoto quebrado só podia observar.
O sofrimento de Bran por causa de sua mutilação e a própria Winterfell estar "quebrada" estabelece uma ligação empática entre rei e reino.
GRRM disse o seguinte de Tolkien, quem ele admira:
O Senhor dos Anéis tinha uma filosofia muito medieval: que se o rei fosse um bom homem, a terra prosperaria. Olhamos para a história real e não é assim tão simples. Tolkien pode dizer que Aragorn se tornou rei e reinou por cem anos, e ele foi sábio e bom. Mas Tolkien não faz a pergunta: qual era a política fiscal de Aragorn? Ele manteve um exército permanente? O que ele fazia em tempos de inundação e fome?
-GRRM também implicitamente fez a pergunta: Como os seres humanos, que são falhos e mortais, podem virar monarcas perfeitos, como o Rei Pescador deveria ser? A história de Bran, entrelaçada com a de seu antepassado Brandon, o Construtor, é sua resposta a essa pergunta. Desde o início, os Starks foram preparados pelos Deuses Antigos. A lenda westerosi diz que o Construtor teve a ajuda de gigantes, e usou a magia dos Filhos da Floresta para construir a Muralha. Quando Catelyn olha nos olhos da árvore-coração de Winterfell, ela pensa que eles são "mais velhos do que Winterfell. Se as lendas eram verdadeiras, tinham visto Brandon, o Construtor, assentar a primeira pedra; tinham visto as muralhas de granito do castelo crescer à sua volta. (AGOT, Catelyn I)
Jon Snow, outro que não é um Stark pela linha masculina, tem pesadelos em que as Criptas "não são seu lugar" e recusa a oferta de Stannis para ser o Senhor quando ele percebe, "o represeiro era o coração de Winterfell... mas para salvar o castelo, Jon teria de arrancar esse coração até suas antigas raízes e entregá-lo ao faminto deus de fogo da mulher vermelha. Não tenho o direito, pensou. Winterfell pertence aos deuses antigos" (ASOS, Jon XII)
Quando Rickon levou os Walders para as Criptas, Bran ficou furioso: "Você não tinha o direito! [...] Aquele lugar é nosso, dos Stark!
Não é por acaso que os contos sugerem que a árvore-coração, "o coração de Winterfell" é dito ter testemunhado o trabalho do Construtor. Na verdade, no Norte, a árvore-coração é usada como testemunha para votos de todos os tipos, incluindo casamentos e contratos. Ramsay e "Arya" dizem seus votos em frente a uma árvore-coração, e Jojen diz a Bran que os filhos da floresta não tinham "nem tinta, nem pergaminhos, nem linguagem escrita. Em vez disso, tinham as árvores, e os represeiros acima de tudo”.
Juntando o que aprendemos sobre a história da Casa Stark em O Mundo de Gelo e Fogo, pudemos ler como o crescimento de seu domínio não era só reflexo do crescimento de Winterfell "ao longo dos séculos como se fosse uma monstruosa árvore de pedra", mas que havia um propósito mais profundo para as guerras que eles travaram. Eles mataram o warg Gaven Greywolf na "Guerra dos Lobos" e o Rei Warg da Ponta do Dragão Marinho, matando seus vidente verdes e levando suas filhas como prêmios.
Estes podem ter sido os eventos históricos que levaram Haggon a dizer: "Ao sul da Muralha, os ajoelhadores nos caçariam e nos matariam como porcos..". Theon Stark, o Lobo Faminto, matou o Rei Marsh e casou-se com sua filha, e é comum rumores de que os crannogmanos se casaram com os Filhos da Floresta. Com base na visita de Howland à Ilha das Faces e ao status de Jojen como um sonhador verde podemos supor que eles têm estreitas conexões com a magia do Deuses Antigos, tenham se casado ou não.
A razão para essas guerras contra outros praticantes da magia do Norte remonta a Brandon o construtor, que eu vou supor também foi o Último Herói, uma vez que foram Winterfell e a Muralha que conseguiram alcançar o que o Último Herói estava determinada a fazer:
E assim, enquanto o frio e a morte enchiam a terra, o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido.
Isso remonta a um grande pacto que ele fez com os Filhos há 8000 anos: em troca da ajuda mágica destes, de ser o único legítimo possuidor dessa magia, e ter o mandato para conquistar o Norte, o Construtor e seus descendentes dariam sacrifícios aos Deuses Antigos, preservariam seus represeiros e manteriam os Outros à distância. Todo o propósito do lema da Casa Stark é expresso em "O Inverno está Chegando". Não é um vanglória – como é comumente observado –, é algo mais. É uma justificativa para o direito deles de governar. Ao absorver a magia no sangue do Rei Warg e do Rei Marsh, os Reis do Inverno estavam agindo conforme o pacto. Assim como o Rei Pescador, ou seja, o Rei Arthur, protegeu o Santo Graal, também os Starks mantêm a árvore-coração, tirando dela poder e legitimidade.
É muito provável que o próprio Construtor tenha sido um vidente verde, fundindo-se com a árvore-coração como parte de seu pacto com os Deuses Antigos para se tornar o primeiro Stark em Winterfell. "Bran" significa "corvo" em galês e Corvo de Sangue diz a Bran que as mensagens foram enviadas por corvo entrando-se na pele deles:
Foram os cantores quem ensinaram aos Primeiros Homens a enviar mensagens por corvos... mas, naqueles dias, as aves podiam dizer as palavras. As árvores se lembram, mas os homens esquecem, então agora escrevem a mensagem em pergaminho e amarram em volta da perna da ave com quem nunca compartilharam a pele. (ADWD, Bran III)
Isso não é um acidente, pois GRRM afirmou que os nomes de seus personagens foram escolhidos com "uma boa quantidade de reflexão". Apenas dois indivíduos na narrativa tem a capacidade confirmada de entrar na pele de corvos, e ambos são vidente verdes. Dizem que os reis da Era dos Heróis – o Construtor entre eles – viveram por centenas de anos, exatamente o que os verdes fazem, usando os represeiros como uma espécie de aparelho de manutenção sobrenatural da vida na velhice. Jojen aprofunda nossa compreensão do papel dos represeiros quando diz:
Quando
[os cantores e vidente verdes]
morriam,
entravam na floresta,
em uma folha, um galho ou uma raiz,
e as árvores se lembravam
Todas as suas canções e feitiços, suas histórias e orações, tudo o que sabiam sobre esse mundo. Os cantores acreditam que os represeiros são os antigos deuses.
Quando cantores morrem, eles se tornam parte dessa divindade.
(ADWD, Bran III)
Se o Construtor era de fato um vidente verde, e a árvore-coração de Winterfell seu repouso final (lembre-se daquela lagoa preta bacana ao lado, que ninguém nunca tocou o fundo) – como há fortes evidências de que ele seria – então isso significa que a jornada de Brandon esteve, desde o início, sob o olhar direto de seu ancestral. Quando Bran fala pela primeira vez da árvore-coração, ele diz que "sempre o assustara; as árvores não deveriam ter olhos, pensava Bran, nem folhas que se parecessem com mãos”.
À medida que o preparo de Bran como herdeiro do Construtor continua, ele cai cada vez mais sob sua influência, atraído pelos represeiros cada vez mais, especialmente para a árvore-coração:
Bran sempre gostara do bosque sagrado, mesmo antes, mas nos últimos tempos achara-se cada vez mais atraído para lá. Até a árvore-coração já não o assustava como antes. Os profundos olhos vermelhos esculpidos no tronco claro ainda o observavam, mas, de algum modo, agora tirava conforto disso. Os deuses olhavam por ele, dizia a si mesmo, os deuses antigos, deuses dos Stark, dos Primeiros Homens e dos Filhos da Floresta, os deuses do seu pai. Sentia-se seguro à vista deles, e o profundo silêncio das árvores o ajudava a pensar. Bran passara a refletir muito desde a queda; a refletir, a sonhar e a falar com os deuses. (ACOK, Bran VI)
Era uma árvore estranha, mais esguia do que qualquer outro represeiro que Bran tivesse visto e desprovida de rosto, mas pelo menos fazia-o sentir que os deuses estavamali com ele (ASOS, Bran IV)
A árvore-coração em Winterfell viu a colocação da primeira pedra, e foi no Bosque Sagrado que Bran fez sua última escalada sobre as paredes de Winterfell. Verão notavelmente uivava com medo, como se sentindo que algo terrível estava prestes a acontecer do mesmo jeito que Vento Cinzento fizera nas Gêmeas:
Estava no meio da árvore, deslocando-se com facilidade de galho em galho, quando o lobo se pôs em pé e começou a uivar.
Bran olhou para baixo. O lobo calou-se, olhando-o através das fendas de seus olhos amarelos. Um estranho arrepio o atravessou, mas recomeçou a trepar. Uma vez mais o lobo uivou.
Quieto – gritou. – Senta. Fique. Você é pior que a minha mãe – os uivos seguiram Bran até o topo da árvore quando, por fim, saltou para o telhado do armeiro e para fora de vista.
Os Deuses Antigos (e Corvo de Sangue) estão fortemente implícitos em ter previsto seu destino, assim como Summer sentiu. Eles têm inteiramente a intenção de que ele desempenhará seu papel na saga e cumprirá o pacto, quer ele queira ou não:
– Muito dele se transformou em árvore – explicou a cantora que Meera chamava de Folha. – Ele viveu além de seu tempo mortal e, ainda assim, permanece aqui. Por nós, por você, pelos reinos dos homens. Apenas uma pequena força permanece em sua carne. Ele tem mil olhos e um, mas há muito para ver. Um dia, você saberá.
Observei-o por um longo tempo, observei-o com mil olhos e com um. Vi você nascer, e o senhor seu pai antes de você. Vi seus primeiros passos, ouvi sua primeira palavra, fiz parte de seu primeiro sonho. Estava observando quando caiu. E agora finalmente você veio até mim, Brandon Stark, embora a hora seja tardia.
(Bran II e III, ADWD)
A resposta da GRRM à pergunta "Como pode um mortal se tornar um rei perfeito?" é evidente na narrativa de Bran: Apenas tornando-se algo não completamente humano, tendo características divinas e imortais, como a um represeiro, fundidas em seu ser – e, portanto, tornando-se mais ou menos do que completamente humano, dependendo de sua perspectiva.
Este é o único tipo de monarquia ao qual GRRM confere legitimidade, do tipo onde o rei sofre em sua jornada e é quase desumanizado pelo bem de seu povo. O Último Herói (o Construtor) em sua busca pelos Filhos, viu todos os seus 12 companheiros morrerem. Jojen agora está perto da morte, e diz a Bran que:
[…] Terra e água, solo e pedra, carvalhos, olmos e salgueiros, estavam aqui antes de nós, e ainda permanecerão quando tivermos ido.
Assim como você – disse Meera. Aquilo entristeceu Bran. E se eu não quiser permanecer quando vocês se forem?, quase pergunto.-(Bran, ADWD)
Bran viverá mais que seus amigos, Meera e Jojen. Embora ele se reencontre com seus irmãos Arya, Sansa, Rickon e até mesmo Jon, e sua vida com eles seja feliz, Bran viverá mais do que eles também, e que seus filhos. Ele viverá mais que Nymeria, Cão Felpudo, Fantasma e até Verão. Corvo de Sangue lhe disse:
Tenho meus próprios fantasmas, Bran. Um irmão que amava, um irmão que odiava, uma mulher que desejava. Através das árvores, ainda os vejo, mas nenhuma de minhas palavras jamais os alcançou. O passado permanece no passado. (Bran, ADWD)
Através da árvore-coração de Winterfell, Bran será na velhice como Corvo de Sangue é agora, "meio cadáver e meio árvore, [...] parecia menos um homem do que uma sinistra estátua feita de madeira retorcida" e imerso nas memórias de uma infância feliz que está perdida para ele: Ele e Arya correndo brincando com espadas de gravetos no bosque sagrado; escalando as paredes de pedra enquanto Arya e Sansa têm uma luta com bolas de neve; o pai que se senta ao lado do fogo falando "suavemente da era dos heróis e das crianças da floresta"; uma mãe ordenando-lhe para descer antes que caia; ele, Jon e Robb treinando no pátio.
Perto do fim de sua vida, Bran não será tanto um ser humano. Mais como um veículo e canal das energias mágicas que são a fonte do poder da Casa Stark. Ele será um rei quando "nunca pediu para ser um príncipe", um vidente verde quando "era com a cavalaria que sempre sonhara": Ele será o Stark em Winterfell, preso ao lugar primeiro pela paralisação de suas pernas e sua ligação com o lobo gigante e as árvores, depois por sua ligação física com a própria árvore-coração.
Seja qual for a barganha faustiana que o Construtor fez para ajudar os Filhos, é claro que ele não apenas se ofereceu: ele ofereceu seus herdeiros. A jornada de Bran, seu preparo como Senhor, warg e agora vidente verde é processo que possivelmente levará milhares de anos em construção. O próprio Bran vê seu papel de Senhor, o Stark em Winterfell, como seu destino, sua única escolha:
Por que teria de desperdiçar seus dias ouvindo velhos falando de coisas que só compreendia parcialmente? Porque está enfraquecido, lembrou-lhe uma voz no seu interior. Um senhor na sua cadeira almofadada podia ser aleijado. [...] Mas um cavaleiro no seu corcel de batalha não podia. Além disso, era o seu dever. (ACOK, Bran II)
Depois que ele olhou profundamente para o Coração do Inverno, o Corvo de Três Olhos disse a ele: "Agora você sabe por que você deve viver... porque o inverno está chegando."

A Nova Era

A extensão da ajuda dos Cantores a Bran, Casa Stark e o reino traz à mente a pergunta: Por quê? Por que fariam isso? Eles vivem em uma caverna protegida, e estão à beira da extinção em qualquer caso, então o que importa para eles que a humanidade em Westeros possa ser dizimada? A Resposta está na previsão de Folha dos anos que estão por vir:
Foram para baixo da terra – Folha respondeu. – Nas pedras, dentro das árvores. Antes dos Primeiros Homens chegarem, toda esta terra que você chama de Westeros era nosso lar, e mesmo naqueles dias éramos poucos. Os deuses nos deram longas vidas, mas não grandes números, para não saturar o mundo, como os cervos saturariam a floresta se não existissem lobos para caçá-los. Aquela era a aurora dos dias, quando nosso sol estava nascendo. Agora ele se põe, e este é nosso longo minguar. Os gigantes estão quase desaparecidos também, eles que eram nossa perdição e nossos irmãos. Os grandes leões das montanhas do oeste foram mortos, os unicórnios se foram, os mamutes são apenas algumas centenas. Os lobos gigantes sobreviverão a todos nós, mas sua hora também chegará. No mundo que os homens fizeram, não há espaço para eles, ou para nós.
(Bran III, ADWD)
Folha está prevendo a morte de todas as raças mágicas e anciãs do mundo, até mesmo lobos gigantes. Dado que a magia dos represeiros inclui poderes de profecia, talvez ela esteja correta, talvez não. O que é relevante, no entanto, é o que não foi previsto que acabaria: os represeiros e os sacrifícios de sangue dados a eles são de onde vem magia de Westeros. Onde um assentamento humano declinou, os represeiros retornam, como Brienne descobriu nos Sussurros e Bran no Fortenoite. Ambos encontraram represeiros jovens, magros e sem rosto. A civilização ândala, que teme e queima madeiras selvagens, também está morrendo, a medida que o Sul entra em colapso por meio da violência e da fome.
A explicação está nos represeiro, e na ajuda a Bran e, por extensão, ao reino: os filhos pretendem que a humanidade seja herdeira da administração das árvores sagradas que guardam as almas de seus ancestrais e sua memória. A humanidade, ao contrário dos Cantores, se reproduz rapidamente, e qualquer que seja a origem exata dos Outros (seja como arma criada pelos Cantores que saiu pela culatra, ou como alguns teóricos sugerem, troca-peles que realizaram o que Varamyr não conseguiu fazer através de bebês masculinos como as oferendas de Craster, ou algo totalmente diferente), foi apenas com a chegada da humanidade que os Outros entraram para os registro histórico. Os Outros agem como uma ferramenta cósmica contra uma humanidade que esgotaria a terra como "como os cervos saturariam a floresta se não existissem lobos para caçá-los."
Os Outros são os lobos para caçar humanos, o gelo para trazer equilíbrio ao fogo. Os Starks em Winterfell agem como um dos guardiões desse equilíbrio, a tranca em um portão que mantém à distância um poder sombrio na terra, assim como os valirianos eram para o que estava nas profundezas das Quatorze Chamas. Eles manterão esse equilíbrio até que talvez eles, por sua vez, encontrem o mesmo destino que os Cantores e sejam substituídos por outro invasor de Essos. Não surpreeende que Winterfell pareça ter sido projetado tendo em mente a luta contra os Outros e suas criaturas.
Sugere-se que a Ordem Sagrada dos Homens Verdes tenha se combinado de alguma forma com a terra se analisarmos sua pele verde, aura mágica e a administração de um poderoso bosque de represeiros, e é certo que desempenharão algum papel neste projeto, embora ainda não esteja muito claro qual é esse papel, assim como os detalhes desse projeto.

Conclusão

Há uma relação entre as diferentes figuras míticas e as fontes de seu poder:
Em todo caso, há um esboço de força sobrenatural, e até mesmo divindade, na entidade que age como uma ponte entre presente e algo muito maior: Winterfell para o passado antigo, o represeiro para a divindade e o Santo Graal para o deus-criador cristão. A imagem do Rei Pescador em ASOIAF é criada a partir da fusão do papel do Rei do Inverno ao vidente verde, e, por sua vez, a de Winterfell à árvore-coração. Ela se baseia em uma série de enxertos entre seres diversos e distintos, como afirma este meta-texto:
Simbolicamente, o enxerto imagina a súbita junção de coisas diferentes - uma fusão que pode ser perturbadora ou transformadora. O enxerto representa não apenas uma prática horticultural, mas também uma forma de compreender as fronteiras permeáveis e produtivas entre eu e outros, humanos e não humanos, bem como as conexões entre passado, presente e futuro...
Talvez o mais importante, enxertando noções de primogenitura e ideias estritas de parentesco, introduzindo incerteza em distinções renascentistas entre alto e baixo, animais e plantas, humanos e não humanos.
O Stark em Winterfell por sua natureza é destinado a ser um vidente verde, e sua ligação com o castelo é inseparável de sua ligação com a árvore-coração. Através disso, por sua vez, Winterfell adquire o aspecto de uma árvore, assim como o represeiro tem aspectos de pedra. Cada um se torna como o outro, fundido em praticamente um ser, assim como o rei adquire qualidades de divindade e, no caso do Criador Cristão, o deus é pensado como um rei ("rei dos reis, que do teu trono olha para ti"). Winterfell, nunca se diz ter sido "construído" na narrativa. Em vez disso, "Milhares e milhares de anos antes, Brandon, o Construtor, erguera [raised] Winterfell e, segundo alguns diziam, a Muralha." -(AGOT, Bran IV). "Criar" [raise], da maneira que você "cria" uma criança ou cultura, é a maneira pela qual você lida com algo que é orgânico, vivo, com sensibilidade própria. Bran também nota que aqueles que "construíram" Winterfell "nem sequer tinham nivelado a terra; havia colinas e vales por trás dos muros de Winterfell”.
Winterfell é assimétrico e irregular, como as coisas vivas e orgânicas são. Esta imagem está fortemente impressa nela que se diz que "o edifício fora crescendo ao longo dos séculos como se fosse uma monstruosa árvore de pedra, com galhos nodosos, grossos e retorcidos, e raízes que se afundavam profundamente na terra." Cada um feito mais forte por essas relações, com o Stark em Winterfell servindo como um ducto humano.
Da mesma forma que Winterfell se torna como uma árvore, o represeiro tem aspectos de não ser de alguma forma do mundo de carne e osso. Um Blackwood observa sobre um represeiro: "Por mil anos não mostrou nem uma folha. Quando se passarem mais mil anos, ela se transformará em pedra, [...]. Represeiros não apodrecem”.
Muitas vezes na narrativa, a madeira é comparada com osso, liso e branco, e osso é um tecido do corpo que permanece muito tempo após a morte, separado da carne viva. O Construtor também está associado com Ponta Tempestade. "Uns diziam que os filhos da floresta o ajudaram a construí-lo, dando forma às pedras com magia; outros afirmavam que um garotinho lhe tinha dito o que fazer, um garoto que cresceria para se tornar Bran, o Construtor”. -(ACOK, Catelyn III)
Entender o Construtor como um Rei Pescador resolve muitas contradições na história história dele, especialmente a ideia de que um homem procurou por uma raça de seres que fizeram suas casas de madeira e folha para aprender a construir um castelo de pedra. Havia um propósito muito além do aprendizado; ele foi propor uma união: a civilização humana e a floresta primordial, para criar um monólito que é tanto castelo quanto árvore, governado por um homem que é rei e xamã. Como deveria ser. E como será, pelo único rei em Westeros que GRRM e sua história valorizam e honram:
Brandon Stark, o herdeiro de Winterfell, filho de Lorde Eddard e Lady Catelyn.
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2020.11.27 11:42 maurocaa é estranho alguém que você estava praticamente ficando sério terminar com você e continuar falando contigo?

Para contexto, eu sou homem, tenho 19 anos e ela tem também 19 anos (3 meses mais velha do que eu), ambos fazemos faculdade e trabalhamos.
Então, a um mês atrás eu comecei a ficar com essa menina que conheci no Tinder, as coisas estavam ficando muito boas, a gente conversava. o dia todo, saíamos todo final de semana (só dava pra sair final de semana) e o sexo era bom, enfim, eu tava começando a gostar dela e tinha expectativas de um relacionamento e aparentemente ela também, pois ela ficava conversando sobre a possibilidade da gente namorar e tal, ela conheceu a minha família e eu a dela.
Entretanto, a umas 2 semanas atrás ela ficou estressada comigo porque ela teve que mentir para os meus pais por minha culpa (não foi grande coisa, foi apenas que ela disse que iria de uber para a casa dela quando na realidade ela iria de ônibus, tive que dizer isso porque eles iriam ficar insistindo em dar carona quando ela já tinha me dito que não queria), eu me arrependo muito por ter feito ela mentir, ainda mais por algo besta, mas minha relação com meus pais nunca foi muito boa, estou tentando melhorar mas isso leva tempo, então ela decidiu terminar comigo, com a justificativa de que somos muito diferentes e que ela achava melhor nao deixar crescer algo que ela sentia que não iria pra frente.
Na hora fiquei bem triste e nem falei muito, apenas expliquei que eu fui idiota em fazer ela mentir e que nunca tive uma relação muito boa com meus pais, uns dias depois eu fui conversar com ela porque ela tinha esquecido umas coisas aqui em casa e aproveitei pra tentar entender melhor o porque do término, conversamos e ela me disse que ela já tava meio insegura da gente ter algo porque segundo ela a gente era muito diferente e tal, disse que me acha legal etc mas que eu não sou o tipo de pessoa que ela está procurando para ter um relacionamento, que ficou estressada com toda a situação da mentira e que no final eu sou muito novo para o tipo de pessoa que ela curte se relacionar.
Eu fiquei até que feliz por ter conseguido esclarecer um pouco as coisas, mesmo que talvez seja meio genérico o que ela disse.
A questão é, ela continua falando comigo, nao na mesma intensidade e nem como namorados, mas ela responde o que posto no instagram, me chama pra jogar todo santo dia e fala comigo coisas aleatórias de vez em quando, eu não procuro muito ela, tenho medo de me apaixonar por alguém que já deixou claro que não quer nada comigo, mas talvez lá no fundo eu ainda tenha vontade de voltar, eu gosto muito de sair com ela, estou tentando falar com outras pessoas no tinder etc mas é diferente, com ela era mais fácil sabe.
Talvez ela me chame por não ter outros amigos ou porque ela me acha gente boa e gosta de conversar, mas deveria eu dar um basta nisso? no fundo talvez eu ainda tenha esperança da gente voltar, ainda mais que agora como amigos estamos nos dando bem, porque não tem aquele peso de ficar saindo etc, acho que eu ainda gosto dela.
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2020.11.27 02:25 _mirrorball_ Perdi a chance? Por favor, me ajudem!

Eu estou/estava conversando (paquerando) com esse menino. A gente se falava muito, mas eu sentia que não tava indo muito pra frente porque a gente nunca se via...
Ele não consegue simplesmente me chamar aleatoriamente. Ele precisa achar um contexto plausível pra isso. Ele diz que é tímido.
Até que um dia eu disse que tava precisando de um favor (não especificamente dele, só tava conversando com ele mesmo) e ele disse que era só eu ir na casa dele que resolvia. E eu disse que topava, e ele disse pra eu escolher o dia e dizer a ele. Isso foi domingo da semana passada. Eu demorei uns dois dias pra responder, fazer um charme tlgd, até que, na terça da semana passada, eu perguntei se sexta (amanhã) tava bom e ele disse que achava que dava e que eu deveria lembrar a ele quando chegasse perto.
Mas eu senti que ele tava jogando muito as coisas pra mim... A gente não conversou mais por mensagem desde esse dia, mas a gente teve interações no twitter e uma conversa com outros amigos no discord, mas na qual ele me deu uma atenção especial perceptível.
Falando sobre isso com um amigo meu, ele disse que eu não deveria lembrar a ele do lance na casa dele... Que ele que deveria lembrar. Então eu não lembrei. Até agora, não mandei nada.
De ontem pra hoje respondi dois CF dele, para tipo “lembrar” que eu tava lá, esperando que ele falasse algo sobre amanhã estar de pé ou não. Mas ele foi bem monossilábico e não teve muita conversa.
Perdi a chance? Já era com ele? Eu deveria lembrar agora sobre amanhã para ele? Seria desesperado da minha parte? Ele ficou monossilábico justamente porque não lembrei sobre? Tem vários questionamentos na minha cabeça agora.
TL;DR : a gente conversava e marcou algo, mas ele pediu para lembrá-lo que a gente ia se ver e eu não lembrei por orgulho (e conselho de um amigo meu) e agora ele está monossilábico e não sei se é por isso.
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2020.11.27 00:02 BolinhaSemCristal Talvez a minha mãe seja internada em uma clínica psiquiátrica.

Meu irmão e meu pai estão pensando em internar a minha mãe em uma clínica psiquiátrica, só falta o aval de minha avó quanto a isso.
O motivo é que desde o início do ano minha mãe começa a ter ataques de raiva onde começa a gritar coisas desconexas como:
"a polícia e o PCC estão me perseguindo", "O teu avô quer me matar para pegar minha herança", "O mendingo da padaria me disse que a polícia está me vigiando pois pensam que eu vou matar o seu pai".
(Imaginem alguém falando isso gritando enquanto destrói a casa).
Se fosse apenas um estresse comum a gnt compreenderia... Mas a questão é que já rolou dela falar essas coisas desconexas do nada em vários momentos onde todo mundo estava calado .
O ápice foi quando ela e meu pai estavam saindo para ir na padaria e ela viu o síndico do prédio e começou a dizer para ele parar de hackear a casa dela e mandar informações dela para o PCC. Ela começou a gritar horrores com ele e ele ficou sem entender por completo.
No início do ano ela chegou ao ponto de dizer que o sonho dela era me ver morto, e isso também foi 100% do nada.
A gente não entende porque ela está assim, e eu tenho amigos que já passaram por internações e tratamentos e ambos me disseram que o que ela aparenta ter se parece muito com esquizofrenia.
Se ela for mesmo internada, eu vou me esforçar muito para fazer terapia pois eu realmente tenho muito medo de ficar igual ela. Meu falecido avô (dessa vez pai dela) também teve uns problemas do tipo.
E por mais que eu saiba que internação seria o ideal, tenho medo dela criar uma revolta muito maior, pois já vi de perto casos de pessoas que saíram piores....
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2020.11.26 23:00 BlindEyeBill724 A Epistemologia da Essência, tradução de um ensaio de Tuomas E. Tahko Parte I

A Epistemologia da Essência, tradução de um ensaio de Tuomas E. Tahko Parte I

Published in Alexander Carruth, S. C. Gibb & John Heil (eds.), Ontology, Modality, Mind:
Themes from the Metaphysics of E. J. Lowe. Oxford: Oxford University Press, pp. 93-110
(2018)
RESUMO A epistemologia da essência é um tema que tem recebido relativamente pouca atenção, embora haja sinais de que isso está mudando. A falta de literatura envolvida diretamente com o tópico é provavelmente em parte devido ao mistério em torno da noção de essência em si, e em parte devido à simples dificuldade de desenvolver uma epistemologia plausível. A necessidade de tal conta é clara especialmente para aqueles, como E.J. Lowe, que estão comprometidos com uma concepção amplamente aristotélica de essência, na qual a essência desempenha um importante papel teórico. Neste capítulo, nosso acesso epistêmico à essência é examinado em termos da distinção a posteriori vs. a priori. Os dois relatos principais a serem contrastados são os de David S. Oderberg e E.J. Lowe.
  1. Definindo a noção de essência
A noção de essência é notoriamente misteriosa: os filósofos parecem usá-la em uma série de sentidos diferentes, e mesmo que usem a noção no mesmo sentido, muitas vezes não é muito claro qual é esse sentido. Ao mesmo tempo, as essências, quando são invocadas, geralmente são consideradas
como de grande poder explicativo: os tipos naturais podem ser identificados em termos de suas essências, a modalidade metafísica pode ser reduzida à essência, os poderes causais de várias entidades podem ser explicado com a ajuda de essências, e assim por diante. A seguir, tentarei primeiro oferecer uma definição de trabalho da noção e, em seguida, apresentará as opções disponíveis em relação ao epistemologia da essência. Seguindo essas observações introdutórias, irei proceder à análise do opções.
Como E.J. Lowe frequentemente afirma, talvez a coisa mais próxima de uma definição de essência que nós podemos ter normalmente hoje é a frase familiar de Locke: "o próprio ser de qualquer coisa, pelo qual é o que é '(1975: III, III, §15). Mas esta frase não é particularmente informativa. O que exatamente é 'o próprio ser 'de uma coisa, e como podemos conhecer' o próprio ser 'das coisas? Locke ele próprio considerava as essências reais (em oposição às essências meramente nominais) como incognoscíveis para nós, mas na metafísica contemporânea, uma interpretação modal da essência devido ao trabalho de Kripke e Putnam têm sido o padrão. Na tradição do "essencialismo Kripke-Putnam", essências são explicadas em termos de modalidade de re [ da coisa mesma, de re, latim]: uma atribuição de necessidade a uma proposição é de dicto [do dito, de dicto, latim], mas quando atribuímos necessidade a um objeto, estamos lidando com necessidade de re, e, portanto, essência. Outra característica da tradição Kripke-Putnam é que é comumente pensado que a ciência descobre essências; isto é, as essências são descobertas (pelo menos na maior parte) a posteriori, empiricamente. O aparente problema com esta abordagem é que "pouco ou nada se sabe sobre como ou por que os objetos têm suas propriedades modais de re", como diz L.A. Paul (2006: 335). Consequentemente, o problema epistêmico foi meramente adiado. Este é certamente um problema premente, pelo menos para aqueles que consideram primitiva a posse de propriedades modais de re.
Antes de prosseguirmos, deve ficar claro que o entendimento da essência a ser adotado neste artigo não é o familiar da tradição de Kripke-Putnam, que representa o que podemos chamar de visão 'modalista' da essência: um objeto tem uma propriedade essencialmente se e somente se a possui necessariamente. A abordagem alternativa, amplamente aristotélica, foi popularizada por Kit Fine (1994, 1995a, 1995b) e E.J. Lowe (por exemplo, 2006, 2007, 2008a, 2011a). Outros proponentes contemporâneos de uma concepção amplamente aristotélica de essência incluem, por exemplo, David S. Oderberg (2007, 2011) e Kathrin Koslicki (por exemplo, 2012) .Esta visão amplamente aristotélica da essência - que não pretendo ser inteiramente fiel a Aristóteles - sugere que nem todas as verdades necessárias sobre uma determinada entidade x são verdades essenciais sobre x, mas todas as verdades necessárias são verdadeiras em virtude de (ou, pode-se dizer, fundamentadas em) verdades essenciais (sobre uma entidade ou outra). Isso implica que as verdades essenciais sobre x são um subconjunto apropriado das verdades necessárias sobre x, mas mesmo aquelas verdades necessárias sobre x que não são verdades essenciais sobre x são, não obstante, verdades essenciais sobre uma entidade ou outra. Portanto, de acordo com essa visão, a essência é ontologicamente anterior à modalidade no sentido de que as verdades essenciais são mais fundamentais do que as verdades modais. Nesta visão, não devemos reduzir a essência a propriedades restritivas.
Lowe às vezes se refere à sua própria visão amplamente aristotélica da essência como "essencialismo sério" (por exemplo, Lowe 2013: 144). Mas, como vimos, Lowe na verdade se inspira em Locke, sugerindo simplesmente que a essência de x é apenas a própria identidade de x. Além disso, é importante para Lowe que as essências não sejam em si entidades adicionais (em contraste com Locke). Visto que ele considera que todas as entidades têm uma essência, pareceria haver uma ameaça de regressão infinita se as próprias essências fossem entidades. Na verdade, por que pensaríamos que a identidade de uma coisa seria ela mesma uma entidade? Mais precisamente, a concepção de essência em questão sugere que, uma vez que conhecemos as condições de identidade e existência de uma entidade, conhecemos sua essência; podemos expressar essa essência em termos de um conjunto dessas condições de identidade e existência, ou em termos de uma proposição que lista essas condições, mas a essência em si não é um conjunto ou uma proposição. Acredito que isso se aproxime da visão de Lowe sobre o assunto, mas as coisas são um pouco menos claras com outras versões aristotélicas de essencialismo, como a de Kit Fine, que às vezes escreve como se as próprias essências fossem proposições: 'podemos identificar o ser ou a essência de x com a coleção de proposições que são verdadeiras em virtude de sua identidade’ Fine 1995c: 275). Deixarei essa questão de lado, por mais interessante que seja - no que se segue, presume-se que as essências não são entidades em si mesmas.
Finalmente, a distinção entre essências gerais e individuais deve ser mencionada; ou em outras palavras, a distinção entre essências de tipo ​​e essências particulares. Esta é uma distinção importante para Lowe (2013: 145), embora pessoalmente eu seja um tanto cético quanto às essências individuais, como a essência de um gato individual. Essências gerais, como a essência do tipo 'gato', serão meu foco principal - embora possa haver razões para ser cético sobre algumas essências gerais também, como as de espécies biológicas. Deixo isso passar por enquanto. No entanto, as essências gerais são um pouco menos controversas do que as essências individuais. De fato, em um artigo clássico, Baruch Brody (1973) considera uma vantagem do "essencialismo aristotélico" que conecta a essencialidade com o que é ser um tipo natural. Conclui-se que essências de objetos artificiais, como mesas e cadeiras, também estão entre os casos mais controversos - omitirei amplamente a discussão deles.
Normalmente, pensamos em nosso acesso epistêmico à essência (e também à modalidade) em termos da distinção a priori vs. a posteriori, embora deva notar imediatamente que considero essa distinção um tanto vaga. Também deve ser observado que, embora essência e modalidade estão indubitavelmente ligadas de uma forma importante, o pressuposto inicial deste artigo é, seguindo Lowe, que a essência é ontológica e epistemicamente anterior à modalidade. A seguir, examinarei as rotas a priori e a posteriori para o conhecimento essencialista, antes de concluir com uma breve discussão de uma visão híbrida, onde cada método é reconhecido. Atualmente, estou mais interessado em mapear nossas opções em relação à epistemologia da essência, bem como em esclarecer a visão de Lowe, em vez de defender uma posição particular. Outro ponto preliminar digno de nota é que em minha análise, primeiro explorarei a possibilidade de uma visão unitária da epistemologia da essência, embora eu tenha dúvidas de que nosso acesso epistêmico à essência seja sempre pelo mesmo caminho (o que leva à visão híbrida ). No entanto, por uma questão de parcimônia, uma conta unitária seria preferível, portanto, acho que as contas híbridas devem ser consideradas apenas se todas as contas unitárias falharem.
  1. Acesso epistêmico à essência
Dado que a essência é entendida como sendo ontologicamente anterior à modalidade, pode, pelo menos inicialmente, parecer mais promissor dar uma explicação da epistemologia da essência independentemente da epistemologia da modalidade. Isso implicaria que a epistemologia da modalidade é um caso especial da epistemologia da essência. Portanto, se pudéssemos dar uma explicação plausível da epistemologia da essência, também teríamos o início de uma explicação da epistemologia da modalidade. Embora as defesas explícitas dessa ideia sejam relativamente raras, parece que esse é um caminho popular para os essencialistas contemporâneos. No entanto, certamente há menos acordo sobre se nosso conhecimento da essência é a priori ou a posteriori. Irei considerar cada opção.
2.1 Acesso a posteriori à essência
Uma das supostas vantagens do essencialismo de Kripke-Putnam é que nosso conhecimento da essência, ou propriedades essenciais, pode ser rastreado até o conhecimento científico de uma maneira aparentemente direta. Na verdade, muitos essencialistas contemporâneos continuam a apoiar esse tipo de abordagem; é familiar com a literatura sobre essencialismo "científico" ou "disposicional" (por exemplo, Ellis 2001, Bird 2007a). No entanto, uma vez que a concepção de essência tida como certa em grande parte desta literatura é que a essência se reduz à modalidade (ao invés do contrário), não é óbvio que o essencialismo científico seja capaz de nos dar uma explicação suficientemente refinada da epistemologia da essência entendida de uma maneira amplamente aristotélica. Uma convicção típica do essencialista científico é que as leis da natureza são metafisicamente necessárias, caso em que nosso conhecimento das leis da natureza é uma rota direta para o conhecimento modal substancial, com a ciência empírica desempenhando um papel fundamental. Mas, embora essa concepção possa ter alguma semelhança com o essencialismo aristotélico, ela negligencia uma característica-chave da ontologia aristotélica da essência, ou seja, que a essência é ontologicamente anterior à modalidade.
Podemos construir sobre o trabalho de essencialistas científicos enquanto adotamos a ontologia aristotélica da essência? O essencialismo de Oderberg é talvez a tentativa mais interessante nisso. No entanto, Oderberg (2007: 13) pensa, ao contrário de algumas versões da linha Kripke-Putnam e do essencialismo científico, que descobrir as essências não é apenas o trabalho de cientistas. Ele, no entanto, insistiria que o essencialismo é uma posição falibilista, isto é, nosso conhecimento da essência está sujeito a revisão (ibid., 48). Crucial para esta linha de pensamento é que embora os cientistas desempenham um papel importante na descoberta das essências, não podemos simplesmente contar com especialistas para explicar a epistemologia da essência. Oderberg (ibid., 13) argumenta, como Lowe, que todos podem ter conhecimento das essências. Em primeiro lugar, é tarefa do metafísico explicar a essência, mas o conhecimento científico é indispensável para essa tarefa. Portanto, o essencialismo de Oderberg é do tipo a posteriori - e provavelmente o melhor exemplo dessa abordagem combinada com uma ontologia aristotélica da essência. Vou dedicar o resto da seção 2.1 a uma discussão sobre a posição de Oderberg.
2.1.1 O essencialismo de Oderberg
Oderberg insiste que nenhum teste empírico direto poderia nos permitir descobrir essências, mesmo que as essências sejam rastreadas pelas ciências empíricas - o relato é falibilista. Também parece claro que Oderberg sustenta que a essência é epistemicamente anterior à modalidade. Em particular, é importante para Oderberg que a essência de um objeto não seja apenas um feixe de propriedades essenciais desse objeto. Sua principal razão para resistir a este tipo de 'teoria do pacote' é o que ele chama de 'o problema da unidade', ou seja, deve haver algo para manter um pacote de propriedades essenciais juntas, a fim de garantir que, digamos, as propriedades essenciais de um dado tipos são sempre apresentados nos membros desse tipo (Oderberg 2011: 90). O problema da unidade, às vezes também chamado de "o problema das essências complexas" (Dumsday 2010), acabará por ser de grande importância para a epistemologia da essência. Na verdade, o problema remonta ao problema aristotélico da propriedade. Aqui está uma passagem de Oderberg com um exemplo relevante:
“Ter capacidade para o humor é uma propriedade [...] essencial do ser humano, e nesse sentido podemos dizer que decorre da essência do ser humano ter capacidade para o humor. Mas a essência do ser humano é ser um animal racional, e os humanos têm capacidade para o humor apenas porque são animais racionais. (Oderberg 2007: 49.)”
Isso parece correto na medida em que precisamos distinguir entre a essência de uma entidade e o que essa essência pode acarretar (ignorando quaisquer problemas com este exemplo particular). Mas eu não considero o termo "decorre" ideal. É uma noção histórica, usada por Locke, que Oderberg adota na discussão contemporânea por falta de uma noção melhor. A noção de “decorrência” [em inglês o autor usa flow] simplesmente sugere que as propriedades essenciais de uma entidade são logicamente implicadas pela essência dessa entidade? Se for este o caso, então uma distinção que Fine (1995b: 56-58) traça entre essência constitutiva e consequencial pode ser relevante aqui: uma propriedade é uma parte constitutiva da essência de um determinado objeto se for "diretamente definitiva" do objeto, e meramente consequencial se for tido em virtude de ser uma consequência lógica de alguma propriedade essencial "mais básica" do objeto. No entanto, as propriedades essenciais "básicas" dos objetos envolvem todos os tipos de coisas e nem todas parecem propriedades essenciais muito plausíveis, por exemplo, as propriedades essenciais constitutivas dos humanos acarretam qualquer disjunção de uma propriedade essencial e não essencial dos humanos, como humanos com capacidade de humor ou de voar. Oderberg está determinado a resolver o problema, mas não em termos de envolvimento [entailment]. Em vez disso, ele dá uma definição mais rigorosa de "decorrência" [flow]: um conjunto de propriedades dos objetos pertencentes a um determinado tipo com uma essência particular são causados ​​por e se originam na forma desse tipo (Oderberg 2011: 99-103). A ideia é que a forma - uma noção central para o essencialismo hilomórfico aristotélico (que Oderberg está desenvolvendo) - fornece a essência e, portanto, as propriedades que "decorrem" dela.
Pelo que entendi, então, "decorrência" diz respeito à dependência entre um conjunto de propriedades essenciais e a essência da qual fazem parte. Uma preocupação com essa solução é que nos parece impossível distinguir, epistemicamente, entre a própria essência e uma propriedade essencial que "decorre" da essência. Por exemplo, se estamos procurando a essência da água, podemos apontar uma série de propriedades que parecem essenciais, mas não o são. Um exemplo pode ser a difração de ondas de água. A difração, a curvatura das ondas em torno de obstáculos, é uma característica de qualquer onda, mas é claro que só será aparente quando tivermos um corpo de água em vez de apenas uma molécula de água. Então, a difração é uma propriedade da molécula de água ou algo que simplesmente flui da essência da água? Pode-se pensar que a solução para esse problema - como distinguir propriedades essenciais de meras propriedades de propriedades que fluem da essência - poderia ser abordada da mesma maneira que podemos distinguir propriedades essenciais de propriedades meramente acidentais. Oderberg está ciente desse tipo de desafio e tenta resolver cada uma dessas questões.
Em relação ao problema das propriedades essenciais genuínas e meros acidentes, Oderberg sugere que podemos usar nossa razão e bom senso para determinar quando uma determinada propriedade é genuína no sentido de que é causado e se origina na essência. Crucial para este processo é considerar se a coisa em questão, digamos, o tipo "água", continuaria a exibir 'As propriedades, funções, operações e comportamento característicos' que normalmente ocorre se uma certa qualidade dele fosse removida (Oderberg 2007: 50–51). Se for esse o caso, então a qualidade em questão não faz parte da essência da coisa. Mas se remover a qualidade causaria "uma perturbação geral ou mudança radical" nas funções ditas da coisa, então faz parte da essência da coisa (ibid.). No entanto, na posição de Oderberg, pode parecer que temos apenas a imaginação em que nos apoiar para determinar se uma dada mudança é do primeiro ou do segundo tipo. Essas questões levam Oderberg a reconhecer uma advertência epistemológica a respeito da essência. Propriedades essenciais, incluindo aquelas que "fluem" da essência, são presumivelmente abertas à pesquisa empírica (dados, recursos técnicos suficientes, etc.). Mas, uma vez que as essências não são meros feixes de propriedades essenciais, precisamos de algo que unifique essas propriedades para chegar à essência - esse papel é desempenhado pela noção aristotélica de forma. É aqui que Oderberg também precisa de uma contribuição a priori, porque ele pensa que a existência de tal unificador só pode ser deduzida por raciocínio metafísico a priori, embora determinar o que é o unificador requeira investigação empírica. Como Oderberg (2011: 97) coloca: “Que o ouro deve ter um princípio de unidade não está dentro do âmbito da observação; que o ouro é um metal cujos constituintes atômicos têm número atômico 79 é '. Isso destaca a importância do problema da unidade: elementos a priori parecem ser inevitáveis ​​para determinar quando uma coleção de propriedades essenciais constitui uma essência.
2.1.2 Elementos a priori no essencialismo a posteriori?
O problema que parece estar surgindo para a rota a posteriori para a essência é que já devemos ter apreendido a essência que estamos procurando antes de podermos identificar as propriedades essenciais que "fluem" dela. Parece que nosso acesso epistêmico à essência é frequentemente fragmentado: nós nos perguntamos se certo tipo de entidade, digamos, certa partícula subatômica, poderia existir. Nós determinamos isso considerando as propriedades essenciais que a partícula teria, se existisse: talvez sua massa etc. Mas, como vimos, parece que podemos apreender uma essência somente depois de adquirirmos conhecimento suficiente sobre as propriedades essenciais associado a essa essência. Ou, dito de outra forma, devemos ter alguma concepção prévia da essência de um objeto antes de podermos reconhecer que ele atua como um unificador para um determinado conjunto de propriedades essenciais.Se, de qualquer modo, precisamos de algo assim, talvez seja melhor para começar por uma explicação que nos leve a ter um acesso a priori à essência desde o princípio?
A resposta de Oderberg a este tipo de preocupação é que tudo o que precisamos saber a priori - pelo menos no caso de tipos naturais em oposição a objetos matemáticos abstratos - é que um determinado tipo, digamos, uma partícula subatômica, tem uma essência, não o que essa essência é.Além disso, podemos saber que uma determinada propriedade (como a massa, talvez), é um bom candidato para uma propriedade essencial de um determinado tipo por causa de coisas como universalidade no tipo, a maneira como caracteriza o tipo, e a dificuldade ou impossibilidade de remover essa propriedade de membros aleatórios do tipo. Parece-me que essas são todas boas maneiras de identificar propriedades que podem fazer parte de uma ou outra essência, mas isso pode não remover o cerne da dificuldade. Para saber a que tipo uma determinada propriedade essencial está associada, algum conhecimento prévio sobre a essência desse tipo parece ser necessário. Considere o bóson de Higgs, que foi finalmente descoberto em 2012. Esta descoberta foi altamente antecipada e os físicos tinham uma ideia muito boa sobre a faixa de massa do Higgs previsto, bem como seu papel no Modelo Padrão da física de partículas bem antes da descoberta . Mas como os físicos sabiam que a massa observada do bóson de Higgs, agora confirmada estar na faixa de 125,09 ± 0,24 GeV / c, é realmente parte da essência do tipo de Higgs, ao invés de, digamos, uma característica emergente de algum tipo natural ainda para ser descoberto? Se fosse descoberto que os dados do Grande Colisor de Hádrons não são atribuíveis ao bóson de Higgs, mas sim a alguma característica emergente de um outro tipo de coisa, então não poderia nem mesmo ter descoberto que todos os dados eram devidos a algumas propriedades meramente acidentais desse outro tipo de coisa?
Talvez tudo isso seja algo que o essencialista a posteriori possa abordar com o falibilismo embutido no posicionamento, mas um amigo da abordagem a priori pode continuar a empurrar, pela importância da tarefa a priori de unificar as propriedades essenciais, que tudo já parece pressupor uma compreensão de que tipo de coisa estamos lidando. Se só for possível fazer uma análise sobre o que caracteriza um determinado tipo depois de termos pelo menos uma compreensão parcial do que é esse tipo, isto é, da essência do tipo, então devemos considerar a possibilidade de adquirir este tipo de conhecimento a priori sobre essências. Vamos agora ver como essa abordagem funciona.
2.2 Acesso a priori à essência
O desafio óbvio enfrentado por qualquer explicação da epistemologia da essência que postula o acesso direto a priori à essência é que a faculdade cognitiva que permite esse acesso epistêmico exige uma explicação. Pode haver a tentação de considerar esse acesso epistêmico primitivo. Não considero essa uma boa estratégia, mas existem muito poucas tentativas na literatura de fornecer uma explicação melhor. No entanto, as deficiências do essencialismo tradicional de Kripke-Putnam levaram alguns filósofos a se moverem em direção ao essencialismo a priori, apesar do desafio epistêmico. Talvez um argumento negativo seja o melhor argumento que possamos ter? Lowe frequentemente motiva sua visão por meio de tais argumentos negativos (por exemplo, 2007, 2008a, 2008b, 2013), voltados para o essencialismo a posteriori do tipo Kripke-Putnam de gente como Alexander Bird. 15 Lowe argumenta que, uma vez que o padrão de inferência de Kripke-Putnam usado para deduzir o conhecimento de essências individuais é suspeito, talvez todas as verdades essenciais sejam a priori. Mas também devemos ser capazes de dizer algo positivo. Observe também que o próprio Lowe exclui explicitamente a concebibilidade e as intuições (por exemplo, Lowe 2014) como uma rota potencial a priori para o conhecimento da essência. A seguir, vou reconstruir o essencialismo a priori de Lowe e propor algumas maneiras de desenvolvê-lo ainda mais.
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2020.11.26 21:30 serionaoda Tenho 22 anos e não aguento mais minha mãe controlando a minha vida

Minha família toda por parte de mãe é extremamente religiosa e acham que é normal forçar a religião deles pra mim, sendo que eles sabem muito bem que eu não tenho as mesmas crenças. Todos eles apoiam minha mãe.
Ela sempre foi extremamente controladora. Controla até mesmo a hora que eu acordo, que eu vou dormir e a hora que eu guardo o celular. Controla quantas vezes por semana posso sair. Fica com raiva se compro algo com o meu próprio dinheiro sem avisar. Fica com raiva se falo que quero ver meu noivo durante a semana (só saímos nos finais de semana porque moramos longe um do outro).
Ela desdenha do nosso relacionamento. Fala que não entende porque queremos nos ver tanto e passar tanto tempo juntos (nos vemos 1 vez por semana). Fala que somos insuportáveis e que ela não aguenta mais lidar com a gente porque queremos nos ver toda hora.
Toda vez que falo que tô pensando em ir pra casa dele durante a semana, ela diz que eu sou louca e que estou cega de amor (???).
Não entendo porque ela se comporta assim, sendo que quando ele tá aqui ela trata ele super bem e já me disse várias vezes que ele é uma ótima pessoa.
Ela me controla com chantagem emocional e tentando me fazer ficar mal com as outras pessoas em quem confio. Fala que eu não tenho amigos de verdade e que as pessoas fingem que gostam de mim. Fala que meu noivo vai me largar e que eu vou voltar chorando pra ela. Fala que sou iludida e que ninguém me quer por perto.
Mesmo sabendo que ela fala tudo isso pra me controlar e que é tudo mentira, ainda me machuca muito. As vezes ela me faz ter crises de ansiedade horríveis falando todas essas coisas e ainda me chama de louca quanfo me vê mal depois.
Ela diz que como moro na casa dela, tenho que respeitar ela, que basicamente quer dizer que tenho que obedecer.
Faz muito tempo que quero sair de casa. Ganho o suficiente pra ir morar sozinha, mas estou juntando todo esse dinheiro pra me casar com meu noivo. Ainda não podemos morar juntos porque ele é estagiário e estamos esperando ele ter um emprego de verdade.
A previsão é que a gente consiga se casar daqui a um ano, com o dinheiro que estamos juntando (não pra festa, mas pra comprar os móveis da casa). Aí também daria tempo de ele ser contratado em algum lugar.
Mas eu não aguento mais esperar um ano. Não aguento mais ver minha mãe surtando e gritando comigo só porque eu falei que queria sair pra ver meu noivo ou porque ela me viu assistindo uma live hindu (que pra ela é coisa do demônio).
Não aguento mais ficar ouvindo ela e minha família falando coisas homofóbicas e machistas em todas as reuniões de família.
O pior de tudo é que depois que ela para de gritar, ela finge que tá tudo bem e eu que exagerei.
Sério, quero muito ir embora mas aí não vou conseguir guardar dinheiro pro meu casamento. Não aguento mais. Não sei o que fazer.
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2020.11.26 13:54 reallyuglydoodles Minha ex não é quem eu pensei que ela fosse. E tudo bem.

Eu namorei com a Laura por uns 3 anos. Terminamos no começo de 2020, e semana passada ela veio me ver aqui em casa porque foi meu aniversário.
E isso aconteceu basicamente porque eu e a Laura mantemos a amizade, mesmo depois do término. Reconhecemos que somos pessoas muito importantes pra vida um do outro e que mesmo nosso namoro não tendo dado certo, ainda podemos ser amigos. E somos mesmo. Já tem quase um ano que a gente não está mais juntos mas mesmo assim, ela ainda me considera o suficiente pra vir me ver no meu aniversário e e ainda trazer um presentinho.
(Eu sei que estamos no meio de uma pandemia, mas já fazem meses que eu tô trancado em casa levando essa quarentena à serio e a Laura literalmente foi a única visita que eu tive nos últimos seis meses, e só porque foi meu aniversário mesmo).
Até aí, tudo certo. O questionamento começa quando eu pergunto se o atual namorado dela está de boa com ela vir visitar o ex-namorado. E pra minha surpresa, ela disse que o namorado não precisava saber que ela estava lá, que é mais fácil ela omitir esse fato, pediu até pra gente não tirar fotos pra não ter perigo delas acabarem caindo num Instagram da vida e o atual dela ver.
Cara, isso me deixou um tanto incomodado. Me fez pensar em quantas vezes ela deve ter feito o mesmo comigo enquanto a gente namorava. E o pior é que nem passava pela minha cabeça. Não que eu ache que ela alguma vez chegou a me trair nem nada do tipo, porque eu realmente confio muito na palavra dela e ela sempre diz que nunca teve nada com ninguém, e eu confio nela. Mas a questão justamente é que esse tipo de atitude dela enfraquece essa retórica, não é?
Sei lá, pareceu a ação de uma pessoa totalmente diferente daquela que eu namorei por vários anos. Eu não estou aqui pra crucificar a menina e me pintar como um santo que nunca errou na vida, mas eu realmente fiz um esforço pra ser sincero. Se eu queria ver alguém específico, eu estava confortável para dizer isso à ela e achava que o contrário também era verdade.
Essa ação dela me fez repensar tantos momentos no nosso namoro que poderiam ter uma interpretação ambígua, mas eu sempre dava a palavra dela como fator guia e todo o resto não importava. Tantas vezes em que ela foi "tomar um sorvete com uma amiga" e sumia por umas 3 horas, ou "a chefe dela disse que ela tinha que terminar aquele projeto logo e ela ia ter que fazer hora extra". Eu sempre aceitei esse tipo de coisa numa boa. Até porque eu pensava se ela quisesse fazer algo tipo ir ver alguém, ela simplesmente diria.
Isso me lembra aquela história de "a pessoa que sempre acha que você está traindo ela provavelmente está traindo você", sabe? Durante nosso namoro, eu tinha que basicamente dar um relatório do que estava fazendo o dia inteiro, qualquer contato com alguma pessoa que não fosse ela gerava uma crise de ciúmes, me isolei de um monte de gente porque "ela não gostava deles". Agora só vejo que ela estava espelhando seu mau comportamento em mim, sendo que eu nunca nem cheguei perto de fazer qualquer coisa parecida com o que ela fez. Nunca nem saí de casa sem que ela soubesse.
Eu nem acho que ficaria muito chateado se ela de fato estivesse me enganando esse tempo todo porque eu sou um cara muito flexível com namoro e meio que aceito que quando se está num relacionamento, existe o risco real da pessoa te trair independente do quão boa você seja pra ela. Mas isso sou eu - o namorado dela provavelmente não pensa como eu e fazer esse tipo de coisa com ele não é justo.
Dada a nossa história, eu não chego a desdenhar dela nem nada do tipo. Ainda acho ela uma garota maravilhosa, e não me arrependo nem um pouco do meu namoro com ela. Mas com certeza tirei ela daquele pedestal, onde só via ela como uma mulher angelical e perfeita que sempre era sincera comigo, e agora vejo ela muito mais como uma pessoa muito boa, mas com algumas características questionáveis. E sabe, tudo bem - eu me enquadro nesse aspecto também.
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2020.11.26 06:18 LukeMakki77 Totalmente sem saber o que fazer...

Bom, vamos lá
Namorei uma menina por 1 ano e 7 meses, terminamos na sexta-feira da semana passada (contra minha vontade, pois ainda gosto dela). Ela se dizia desgastada da relação após alguns leves desentendimentos entre nós e disse não estar mais interessada em mim. Essas palavras me machuram muito, pois eu sempre gostei muito dela, apesar de todos nossos problemas. Ela tem problemas de saúde, como depressão e ansiedade.
Nosso término ocorreu de forma até pacífica, em uma chamada de voz. Nessa chamada, ficamos longas horas conversando sobre o andamento da relação. Eu me dispus a resolver todos os problemas e tentar de tudo pra manter aquela relação... Mas como dito acima, ela me disse preferir que ambos seguissem seus próprios caminhos e vidas...
Nós sempre fomos muito próximos, nosso relacionamento surgiu através de uma profunda amizade no ensino médio e com o tempo nos apaixonamos. Nossa relação sempre foi muito tranquila, até que começou a pandemia...
Com a pandemia, não pudemos mais nos ver com tanta frequência, nossa solução foi encontrar algo para fazermos juntos a distância (inclusive nisso, descobri uma nova paixão, chamada League of Legends). Nós jogavamos todos os dias.
Porém,sentindo a ausência um do outro, nossa relação foi ficando mais superficial e menos emotiva. A gente se via eventualmente, mas já não era como antes...
Essa questão toda da distância e isolamento de tudo nos gerou diversos problemas, comecei a ter graves crises de ansiedade. Me tornei uma pessoa muito impulsiva. Inclusive, acabava sendo grosso excessivamente com ela, várias vezes, mesmo sem a intenção.
Isso foi desgastando a relação, mas não somente isso.
Ela foi criando novas amizades no jogo e já não passava mais aquele tempo todo longe de mim comigo. Ela, como já dito, tem problemas de ansiedade e depressão também.
Somando tudo isso, chegamos a uma situação onde a relação estava bem sobrecarregada.
Eu decidi procurar ajuda profissional e tem sido maravilhoso!
Todavia, os problemas do lado dela ainda não se resolviam e isso foi pesando, até que chegou sexta feira e terminamos o namoro (a pedido dela).
Passaram-se já alguns dias, busquei me manter bem ativo, mudei os móveis da minha casa de lugar, procurei trabalhos e cursos pra fazer e me aproximei de amigos do passado que me afastei. (Inclusive, me aproximei de uma amiga a qual já fui bastante apaixonado no ensino médio, antes da minha ex-namorada). Conversei com tudo isso sobre minha psicóloga e ela me deu total apoio e me disse estar lidando de forma bastante correta nessa situação, apesar de toda essa dor que eu sinto por dentro, afinal, ainda gosto dela.
Quarta-feira dia 25, minha ex pede urgentemente para que conversemos.
Decidi que não havia problemas e combinamos de eu ir amanhã na casa dela para buscar coisas minhas que estão lá, porém ela se sentiu incomodada, apesar de aceitar isso.
Todavia, ela pediu pra conversarmos no momento imediato via chamada. Eu aceito sem problemas.
Ela me liga chorando, dizendo que se arrependeu de tudo que me disse, que era mentira, que ela gosta sim e mim e me quer de volta. Ainda nas palavras dela "eu quero que tu cuide de mim".
Eu fiquei sem reação, eu prefiri optar por passar confiança a ela do que dar uma falsa esperança de que voltaríamos... Vou explicar:
Ela cogitou suicídio com toda essa situação...
Eu resolvi passar confiança pra ela em si mesma (o que eu tenho feito comigo)
Eu dei todas as qualidades dela, relembrei bons momentos da nossa relação e fiz com que ela se sentisse especial. Mesmo assim, não disse que ficaria com ela.
Eu admiti pra ela, estou com saudades, eu quero poder dizer que quero ficar com ela.
Mas ela magoou muito meus sentimentos e me machucou muito a forma como ela lidou inicialmente com isso.
Mas eu ainda gosto dela...
Só que eu tenho receio, ela pode estar pedindo por mim agora, mas na verdade ela só uma companhia pro momento difícil, e não por realmente me amar...
Eu aconselhei ela a buscar tratamento com um profissional e ela vai, além do mais, dei conselhos a ela sobre como ela pode superar essa "escuridão" toda que tem passado.
Eu do fundo do meu coração, desejo toda a felicidade e sucesso do mundo pra ela, mas não sei se eu sou o cara capaz disso, e com certeza eu não quero namora-la por pena.
Eu quero namorada por saber que eu a amo e ELA ELA AMA A MIM.
Mas como a saúde mental dela tá instável, não acredito que ela seja capaz de definir um sentimento por mim...
Amanhã vou na casa dela para buscar minhas coisas e ajudar ela em serviços na casa (só pra dar um ânimo)
Mas eu tenho medo de recair, estou indeciso
Eu a amo, mas não sei se devo amar
Não sei se eu realmente devo me sujeitar a esse relacionamento assim.
Estou sem saber o que fazer.
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